A Rússia anunciou que realizará uma versão significativamente reduzida de seu tradicional desfile militar em celebração ao Dia da Vitória em 9 de Maio, omitindo a exibição de armamentos. A decisão, comunicada pelo governo russo nesta quarta-feira (29), foi justificada pelo aumento da ameaça de ataques por parte da Ucrânia.
Tradição e Contexto da Comemoração
O desfile na Praça Vermelha, em Moscou, é um dos eventos mais importantes do calendário russo, marcando a vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista em 1945. Naquele conflito, a União Soviética, que incluía a Rússia e a Ucrânia, sofreu a perda de 27 milhões de pessoas. Em anos anteriores, a Rússia utilizava a ocasião para exibir seu poderio militar, incluindo mísseis balísticos intercontinentais, e o presidente Vladimir Putin frequentemente aproveitava o momento para reforçar o apoio nacional à guerra em curso na Ucrânia.
Justificativas Oficiais e Críticas
Desta vez, o Ministério da Defesa russo declarou que não haverá exposição de equipamentos militares devido à “situação operacional atual”. Questionado sobre a medida, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o “regime de Kiev, que está perdendo terreno no campo de batalha a cada dia, lançou agora uma campanha terrorista em larga escala”. Ele acrescentou que “todas as medidas estão sendo tomadas para minimizar o perigo”.
A decisão, no entanto, provocou reações ácidas de críticos do Kremlin. Abbas Gallyamov, ex-redator de discursos do Kremlin e atualmente listado como “agente estrangeiro” na Rússia, ironizou nas redes sociais: “Eles estão com medo de um motim? Ou todo o equipamento queimou na Ucrânia?”
Pressões no Campo de Batalha e Receio de Ataques
Analistas apontam que a ausência de armamentos no desfile reflete tanto as pressões no campo de batalha sobre o Exército russo quanto o receio de se tornar um alvo atraente para a Ucrânia. A Ucrânia tem demonstrado crescente eficácia em suas capacidades de ataque de longo alcance, infligindo danos significativos a portos e refinarias de petróleo russos. Drones ucranianos têm atacado Moscou em intervalos ao longo da guerra, e a Rússia atribui a Kiev uma série de assassinatos e tentativas de assassinato de oficiais militares de alta patente.
John Foreman, ex-funcionário de defesa britânico em Moscou, lembrou que o desfile de 2025 contou com a participação de 11 mil soldados e cerca de 150 veículos militares, incluindo tanques. Ele sugere que um desfile suntuoso poderia gerar críticas em um momento em que a guerra não tem fim à vista e o Kremlin enfrenta frustração popular, agravada por interrupções em serviços de internet, que Putin defende sob o pretexto de segurança. “As coisas não estão indo bem — o clima não é dos melhores, há dificuldades econômicas, eles (os russos) veem uma guerra sem fim”, disse Foreman.
A notícia do desfile reduzido gerou discussões acaloradas entre os russos nas redes sociais. Em grupos de bate-papo no Telegram, alguns participantes consideraram que seria um “desfile muito estranho” sem armas, pois o objetivo seria mostrar aos adversários o que enfrentariam em caso de ataque. Outros sugeriram que o momento ideal para um desfile grandioso seria após a conquista da vitória pela Rússia, levantando a questão: “Mas quando será isso?”
Fonte: CNN BRASIL


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