Bebês Romanos Enterrados com Tecidos Roxos Valiosos Revelam Status de Elite em York

Vestígios de um dos tecidos mais caros do mundo antigo foram encontrados em sepultamentos de bebês que viveram há cerca de 1.700 anos na York romana. Um estudo recente da Universidade de York identificou fragmentos de púrpura de Tiro, um corante raro e associado à realeza e às elites da época, em tecidos preservados em sepulturas de gesso.

Riqueza e Status em Sepultamentos Antigos

As sepulturas datam do final do século 3 ou início do século 4 d.C. e fazem parte das coleções do York Museums Trust. Uma das crianças foi encontrada em um sarcófago de pedra, acompanhada por dois adultos, enquanto a outra foi sepultada sozinha em um caixão de chumbo. A análise dos vestígios têxteis foi possível graças a uma prática funerária romana, onde o gesso líquido era despejado sobre os corpos vestidos. Ao solidificar, o material preservava impressões detalhadas dos tecidos e até mesmo resquícios químicos de corantes, revelando detalhes invisíveis a olho nu.

O Significado da Púrpura de Tiro

Os testes confirmaram a presença do valioso corante roxo em ambos os sepultamentos. No caso do bebê no caixão de chumbo, a análise indicou que o corpo estava envolto em pelo menos duas camadas de tecido. Uma delas, possivelmente um manto ou xale com franjas, cobria o corpo, enquanto uma camada externa mais fina, tingida com a cobiçada púrpura de Tiro e entrelaçada com fios de ouro, recobria a parte superior. Acredita-se que essa camada externa pudesse estar visível durante os rituais fúnebres.

Na sociedade romana, a cor púrpura era um símbolo inequívoco de alto status social. A obtenção do corante era um processo extremamente trabalhoso e caro, pois exigia a coleta de milhares de moluscos do gênero murex, encontrados no Mediterrâneo. Essa raridade e o custo de produção tornavam o tecido tingido de púrpura um artigo de luxo extremo.

Um Símbolo de Riqueza e Prestígio

A importância econômica e social do pigmento é evidenciada em registros históricos. Em 301 d.C., o imperador Diocleciano, em seu édito de preços, estabeleceu que uma libra de seda tingida com púrpura de Tiro custava a impressionante quantia de 150 mil denários. Produzido majoritariamente na cidade fenícia de Tiro, no atual Líbano, o tecido era um dos símbolos mais proeminentes de riqueza e prestígio em todo o Império Romano.

Esta descoberta marca o primeiro registro confirmado do uso da púrpura de Tiro em vestígios têxteis romanos encontrados especificamente em York. Descobertas semelhantes na Grã-Bretanha são consideradas raras, e a combinação do corante com fios dourados em York aponta para a presença de tecidos entre os mais luxuosos disponíveis na época. A presença desses materiais em sepultamentos infantis sugere que, apesar da alta mortalidade infantil na época, algumas famílias de elite investiam significativamente nos rituais funerários de seus filhos.

Fonte: Aventuras Na história

  • Universidade de York
  • York Museums Trust
  • Archaeology News
Wendell Oliveira é editor da Globosfera e escreve sobre tecnologia, ciência, saúde, tendências digitais e atualidades, com foco em conteúdo informativo, claro e acessível.
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