A crise humanitária no Sudão, a maior do mundo em deslocamento de pessoas, está sendo agravada pelo aumento expressivo nos custos de envio de ajuda. Segundo a agência da ONU para refugiados (ACNUR), o custo para transportar suprimentos essenciais para a região mais que dobrou devido à guerra com o Irã, que tem provocado interrupções no transporte marítimo e atrasos nas entregas.
Impacto da insegurança marítima e logística
A crescente insegurança em torno de rotas marítimas cruciais no Golfo, incluindo o Estreito de Ormuz, somada ao congestionamento em portos importantes, à elevação dos preços dos combustíveis e ao aumento dos prêmios de seguros, tem dificultado significativamente a chegada de ajuda humanitária, especialmente na África. Navios que antes utilizavam a rota de Dubai pelo Estreito de Ormuz agora precisam ser substituídos por embarcações vindas da Europa, que contornam o Cabo da Boa Esperança. Essa mudança pode adicionar até 25 dias ao tempo total de entrega.
“Pessoas em extrema necessidade estão recebendo coisas que ficam prontas mais tarde do que o necessário”, lamentou Carlotta Wolf, porta-voz da ACNUR, em Genebra. Os custos de transporte para o envio de itens de ajuda de Dubai para o Sudão e para o vizinho Chade mais que dobraram, saltando de US$ 927.000 para US$ 1,87 milhão.
Desafios logísticos e rotas alternativas
O centro de distribuição da ACNUR em Dubai, que abriga o maior estoque global de itens de ajuda humanitária, tem enfrentado dificuldades. A interrupção da navegação no Estreito de Ormuz, intensificada desde o início do conflito entre os EUA e o Irã em 28 de fevereiro, é um dos principais fatores. Além disso, o congestionamento em portos como Jeddah, na Arábia Saudita, e Mersin, na Turquia, e o aumento significativo nos prêmios de seguro contra riscos de guerra – estimados entre 0,5% e 1,5% do valor da carga para trânsitos no Golfo – pressionam ainda mais a logística.
A dependência crescente de rotas terrestres também contribui para a escassez de caminhões e eleva os custos de transporte. Em Nairóbi, no Quênia, a alta de cerca de 15% nos preços dos combustíveis tem causado atrasos e reduzido a disponibilidade de veículos para envios a países como Etiópia, República Democrática do Congo e Sudão do Sul.
Restrições de financiamento agravam a crise
As interrupções logísticas ocorrem em um momento crítico para a ACNUR, que já enfrenta severas restrições de financiamento devido a cortes de doadores globais. O apelo da agência para arrecadar US$ 8,5 bilhões, destinado a auxiliar 135 milhões de refugiados e deslocados internos, recebeu apenas 23% do montante necessário. “Cada dólar gasto a mais em transporte é um dólar a menos que podemos fornecer às pessoas que estão sendo forçadas a ir para o local, ou seja, menos pessoas que podemos apoiar”, alertou Wolf.
Adicionalmente, a ACNUR alertou que o aumento dos preços dos combustíveis e a escassez de fertilizantes estão elevando os custos dos alimentos, o que agrava ainda mais as dificuldades enfrentadas pelas populações necessitadas em diversas regiões afetadas por conflitos e crises.
Fonte: CNN BRASIL


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