ONU Propõe ‘Voz Ativa’ em Notícias Sobre Violência Contra Mulheres

A ONU Mulheres lançou o movimento “Voz Ativa”, acompanhado da hashtag #MancheteSemViés, com o objetivo de transformar a maneira como os veículos de comunicação noticiam casos de violência contra a mulher. A iniciativa busca influenciar a redação de notícias e manchetes, alterando a forma como esses crimes são relatados.

Substituição da Voz Passiva pela Ativa

A proposta central do movimento é substituir construções na voz passiva, como “mulher é morta” ou “mulher é agredida”, por frases que explicitamente indiquem quem cometeu o crime. A ideia é utilizar a voz ativa, um formato que deixa claro que a violência contra a mulher sempre tem um responsável direto. Essa mudança visa combater a invisibilidade dos agressores nas narrativas jornalísticas.

Impacto da Linguagem na Percepção da Violência

Gallianne Palayret, Representante da ONU Mulheres no Brasil, destaca a importância da mudança cultural em conjunto com o fortalecimento das leis e serviços de atendimento às mulheres. “A forma como a sociedade fala sobre a violência contra as mulheres influencia diretamente a forma como ela é compreendida. Quando a linguagem esconde o agressor, a responsabilidade também se esconde”, afirma Palayret.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que 84,2% dos feminicídios são cometidos pelo companheiro da vítima, e 64,3% ocorrem dentro de casa. Diante desse cenário, o projeto busca alterar a forma como esses casos são narrados, dando visibilidade aos agressores e suas responsabilidades.

Para ilustrar o impacto da construção textual, a ONU Mulheres produziu um filme que evidencia como a narrativa pode influenciar a compreensão da violência contra a mulher. O objetivo é estimular uma revisão mais ampla sobre como a sociedade retrata e entende essa problemática.

A ONU Mulheres, um segmento da Organização das Nações Unidas, dedica-se à promoção dos direitos das mulheres, à igualdade de gênero e ao empoderamento de todas as mulheres e meninas, buscando transformar normas sociais e culturais que perpetuam a violência.

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