Decisão Judicial Permite Uso de Arma e Diário em Julgamento de Luigi Mangione por Assassinato

Um juiz de Nova York proferiu uma decisão mista na semana passada, permitindo que a promotoria utilize a suposta arma do crime e um diário com anotações incriminatórias no julgamento de Luigi Mangione, acusado do assassinato do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson. A decisão, no entanto, descartou outros itens encontrados na mochila do réu, levantando questões sobre as estratégias de defesa que poderão ser empregadas.

Divisão de Provas: O Que Entra e o Que Sai do Julgamento

O juiz Gregory Carro determinou que as provas apreendidas em uma primeira busca na mochila de Mangione, realizada em um McDonald’s na Pensilvânia dias após o assassinato de Thompson, em 4 de dezembro de 2024, não seriam admitidas no julgamento. A defesa argumentou, e o juiz concordou, que essa busca inicial foi inadequada. Contudo, uma segunda busca, efetuada posteriormente na delegacia de polícia de Altoona, seguiu os protocolos legais, permitindo que a promotoria apresentasse evidências cruciais.

Entre os itens que poderão ser apresentados ao júri estão uma pistola 9mm impressa em 3D, que a promotoria alega ter sido usada para atirar em Thompson pelas costas, e um diário repleto de anotações. Especialistas jurídicos, como o ex-promotor Gary Galperin, consideram essas duas peças de evidência “cruciais” e “incriminatórias”, essenciais para o caso da acusação.

A Arma e o “Manifesto”: Peças-Chave Contra Mangione

A pistola 9mm impressa em 3D encontrada na mochila de Mangione na delegacia de Altoona é considerada uma prova fundamental. Documentos judiciais indicam que a arma corresponde aos cartuchos de 9mm recuperados na cena do crime, ligando diretamente o réu ao tiroteio. Os promotores afirmam que os cartuchos encontrados continham palavras como “delay”, “depose” e “den”, possivelmente referindo-se a críticas às táticas da indústria de seguros.

O diário, por sua vez, contém anotações manuscritas que expressam animosidade em relação ao setor de saúde e a intenção de cometer um ataque. De acordo com documentos apresentados pela promotoria, Mangione teria escrito: “Então, digamos que você queira se rebelar contra o cartel mortal e ganancioso dos planos de saúde. Você bombardeia a sede? Não. Em vez disso, deve-se eliminar o CEO na convenção anual de contadores parasitas”. Essa anotação, datada de outubro de 2024, é vista como uma referência direta à conferência de investidores que Thompson participaria no momento de seu assassinato.

Além da arma e do diário, a promotoria poderá apresentar outros escritos encontrados na bolsa de Mangione, incluindo uma carta endereçada “Aos Federais”, que foi interpretada como uma confissão. Nela, Mangione teria escrito: “Para evitar uma longa investigação, afirmo claramente que não estava trabalhando com ninguém. Peço desculpas por qualquer conflito ou trauma, mas era necessário. Francamente, esses parasitas mereceram o que aconteceu”.

O Que Foi Excluído e Outras Evidências

Apesar da admissão da arma e do diário, o juiz Carro decidiu excluir da análise do júri um celular, passaporte e carteira encontrados dentro de uma bolsa Faraday, que bloqueia sinais de celular, além de um chip de computador. Um carregador municiado, encontrado envolto em uma cueca, também foi considerado inadmissível, o que pode impactar uma das acusações de porte de arma contra Mangione.

No entanto, a promotoria afirmou possuir outros dispositivos eletrônicos obtidos independentemente da mochila, como um celular Motorola azul descartado pelo atirador e um pen drive. A investigação também rastreou os movimentos do suspeito através de imagens de câmeras de segurança, que o levaram a um albergue em Nova York. Lá, ele utilizou uma carteira de motorista falsa de Nova Jersey em nome de Mark Rosario, a mesma identidade que Mangione apresentou à polícia da Pensilvânia.

Evidências forenses também ligam Mangione ao crime. Seu DNA e impressões digitais foram encontrados em itens descartados pelo atirador perto do local do assassinato, como uma garrafa de água e a embalagem de um salgadinho.

Implicações para a Defesa de Mangione

Especialistas jurídicos apontam que a admissão da arma e do diário pode restringir as opções de defesa de Mangione. Se essas provas tivessem sido suprimidas, uma defesa focada em erro de identidade poderia ser mais viável. Agora, a equipe de defesa pode considerar uma estratégia psiquiátrica, argumentando que o réu agiu sob um distúrbio emocional extremo.

Contudo, advogados experientes, como Jeffrey Lichtman, que representou figuras como John Gotti Jr., consideram a chance de sucesso de uma defesa psiquiátrica “próxima de zero”, dado o aparente planejamento e a lucidez de Mangione antes e depois do crime. As supostas declarações de Mangione às autoridades policiais da Pensilvânia, a maioria das quais foi considerada admissível pelo juiz, também podem servir como refutação a essa linha de defesa, pois indicam objetividade e ponderação.

Mangione, de 28 anos, enfrenta acusações de homicídio em segundo grau, posse de documento falsificado e sete acusações de porte de arma. O caso em Nova York está previsto para ir a julgamento em setembro, com a seleção do júri marcada para iniciar no mesmo mês. Ele se declarou inocente de todas as acusações.

Fonte: CNN BRASIL

Wendell Oliveira é editor da Globosfera e escreve sobre tecnologia, ciência, saúde, tendências digitais e atualidades, com foco em conteúdo informativo, claro e acessível.
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