Dois dos principais opositores do atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciaram a união de seus partidos para as próximas eleições. O objetivo central da nova aliança é derrubar o governo de coalizão liderado por Netanyahu, com foco principal em questões domésticas, como a isenção do serviço militar obrigatório para a comunidade ultraortodoxa.
Novo partido “BeYachad” busca unificar oposição
O novo partido, batizado de “BeYachad”, que significa “juntos” em hebraico, ainda não apresentou uma plataforma formal detalhada. No entanto, a formação da aliança entre o direitista Naftali Bennett e o centrista Yair Lapid sinaliza uma tentativa de consolidar a oposição ao governo de Netanyahu, que comanda o que é descrito como o executivo mais à direita da história de Israel.
Postura de segurança semelhante em conflitos regionais
Apesar do foco em temas internos, a expectativa é que o partido “BeYachad” adote uma postura de segurança nacional semelhante à de Netanyahu em relação a conflitos regionais como Irã, Gaza e Líbano. Isso sugere que a política externa israelense, nesses aspectos, permaneceria em grande parte inalterada.
Em relação ao Irã, tanto Bennett quanto Lapid demonstraram apoio à decisão de Netanyahu de realizar ataques em conjunto com os Estados Unidos. Lapid chegou a descrever a ação como uma “guerra justa contra o mal”. Contudo, ambos criticaram o premiê por, em sua visão, não ter alcançado os objetivos principais da guerra, como a derrubada do governo iraniano. Apesar disso, nenhum dos dois pediu a retomada dos combates após o cessar-fogo de 8 de abril.
Uma fonte próxima ao novo partido descreveu Bennett e Lapid como “linha-dura” e “duros com o Irã”, mas também “pragmáticos”, entendendo a necessidade de acordos diplomáticos e do trabalho pós-força militar para atingir metas estratégicas.
Críticas ao cessar-fogo no Líbano e Gaza
No que diz respeito ao Líbano, Bennett e Lapid também apoiaram as operações militares israelenses, mas questionaram o cessar-fogo de 17 de abril, que não interrompeu completamente os combates com o Hezbollah. Lapid declarou que a única solução é a remoção permanente da ameaça ao norte de Israel. Bennett, por sua vez, criticou o acordo, prevendo “a contagem regressiva para a próxima rodada” de conflito.
Na Faixa de Gaza, ambos os líderes criticaram Netanyahu por não ter destruído completamente o Hamas após o ataque de 7 de outubro de 2023. Em janeiro, Lapid afirmou que o governo Netanyahu alcançou o “pior resultado possível”, com o Hamas ainda controlando o território. Bennett acusou as políticas de Netanyahu, incluindo a entrada de ajuda humanitária, de terem auxiliado o Hamas a se recuperar.
Netanyahu, por outro lado, classificou a ofensiva israelense em Gaza, que resultou na morte de mais de 72 mil palestinos e na destruição de grande parte do enclave, como um sucesso. Ele também mencionou a possibilidade de retomar uma guerra em larga escala caso o Hamas não se desarme.
Posições divergentes sobre Estado Palestino
Em relação à criação de um Estado Palestino, a maioria dos israelenses se opõe, segundo pesquisas de opinião. Um governo Bennett-Lapid provavelmente não traria grandes mudanças de política nesse sentido. Netanyahu se opõe à solução de dois Estados e seu governo tem acelerado a expansão de assentamentos na Cisjordânia. Em 2022, Lapid defendeu a solução de dois Estados como o caminho correto.
Bennett expressou preocupação de que a criação de um Estado palestino levaria à violência contra israelenses, citando experiências passadas onde terras cedidas se transformaram em “Estado terrorista”. Apesar das divergências sobre a solução de dois Estados, tanto Netanyahu quanto Bennett e Lapid se posicionaram contra a violência de colonos contra palestinos, um fenômeno que aumentou sob o governo Netanyahu.
Fonte: CNN BRASIL


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