Economize 20%! Entre para nossa lista e garanta 20% de desconto na hora!

Cientistas revertem danos no fígado de camundongos removendo células ‘zumbis’

Uma pesquisa inovadora da Universidade da Califórnia – Los Angeles (UCLA) Health Sciences revelou que a eliminação de células imunes senescentes, apelidadas de “células zumbis”, pode reverter a doença hepática gordurosa e potencialmente retardar o próprio processo de envelhecimento. O estudo, publicado na revista Nature Aging, demonstra como essas células disfuncionais se acumulam com a idade e em condições de colesterol elevado, desencadeando inflamação e danos nos tecidos.

Macrófagos Senescentes: A Chave do Problema

O foco central da pesquisa reside na senescência celular, um processo no qual as células, sob estresse, cessam a divisão, mas persistem em vez de morrer. Essas células remanescentes, conhecidas como “células zumbis”, mantêm-se ativas nos tecidos, liberando um fluxo constante de sinais inflamatórios que podem prejudicar as células vizinhas. Anthony Covarrubias, autor sênior do estudo e membro do Eli and Edythe Broad Center of Regenerative Medicine and Stem Cell Research da UCLA, ilustra o impacto dessas células comparando-as a carros quebrados em uma rodovia movimentada. Mesmo um pequeno número dessas células pode causar uma disrupção significativa nos tecidos.

Identificando a Assinatura Molecular

Por muito tempo, a comunidade científica debateu se os macrófagos, as células imunes responsáveis por patrulhar o corpo e remover detritos, poderiam realmente se tornar senescentes. A equipe da UCLA resolveu essa questão ao identificar uma assinatura molecular clara. A combinação das proteínas p21 e TREM2 foi identificada como um marcador confiável de macrófagos verdadeiramente senescentes, que não funcionam mais adequadamente e, ao mesmo tempo, promovem a inflamação nos tecidos circundantes. A análise revelou uma mudança drástica com o envelhecimento: em camundongos jovens, apenas cerca de 5% dos macrófagos do fígado eram senescentes, enquanto em camundongos mais velhos, esse número saltava para 60% a 80%, acompanhando o aumento da inflamação hepática crônica observada com o envelhecimento.

Colesterol e o Envelhecimento Acelerado

Além do envelhecimento, a pesquisa revelou que o excesso de colesterol também pode induzir os macrófagos a um estado senescente. Quando macrófagos saudáveis foram expostos a altos níveis de colesterol LDL em laboratório, eles pararam de se dividir, começaram a liberar proteínas inflamatórias e exibiram a mesma assinatura p21-TREM2. Ivan Salladay-Perez, primeiro autor do estudo, enfatiza que, embora os macrófagos normalmente lidem com o metabolismo do colesterol, um estado crônico de excesso de colesterol se torna patológico, impulsionando a população de macrófagos senescentes na doença hepática gordurosa. Isso levanta a possibilidade de que dietas ricas em gordura e colesterol possam acelerar o envelhecimento biológico, promovendo a senescência de macrófagos não apenas no fígado, mas também em outros órgãos vitais.

Reversão dos Danos Hepáticos

Para avaliar se a remoção dessas células poderia melhorar a saúde, os cientistas trataram camundongos com ABT-263, um medicamento projetado para eliminar seletivamente células senescentes. Os resultados foram notáveis. Em camundongos alimentados com uma dieta rica em gordura e colesterol, o tamanho do fígado diminuiu de cerca de 7% do peso corporal para um valor mais saudável de 4-5%. O peso corporal também apresentou uma redução de aproximadamente 25%, caindo de cerca de 40 gramas para cerca de 30 gramas. Os fígados tratados apresentaram uma aparência menor e mais saudável, com uma coloração vermelha normal, em contraste com os fígados amarelados e aumentados observados em animais não tratados. Esses resultados sugerem que a eliminação de macrófagos senescentes pode gerar melhorias metabólicas significativas, mesmo sem alterações na dieta.

Implicações para a Saúde Humana

A análise de dados genômicos de biópsias de fígado humano revelou que a mesma assinatura de macrófagos senescentes estava significativamente elevada em fígados doentes em comparação com fígados saudáveis, indicando que a senescência de macrófagos pode contribuir para a doença hepática crônica em humanos. Em Los Angeles, estima-se que 30 a 40% dos residentes sofram de doença hepática gordurosa, com taxas ainda maiores em comunidades latinas. As opções de tratamento permanecem limitadas e as ferramentas de detecção precoce ainda são insuficientes. A equipe de pesquisa planeja investigar compostos mais seguros para remover seletivamente macrófagos senescentes, visando também processos semelhantes em outras doenças relacionadas à idade, como a doença de Alzheimer.

Os resultados do estudo reforçam a hipótese da gerociência, que postula que um único processo subjacente de envelhecimento pode impulsionar múltiplas doenças. O acúmulo de macrófagos senescentes pode, portanto, contribuir para uma variedade de condições, desde doença hepática gordurosa até aterosclerose, Alzheimer e câncer, abrindo caminho para novas abordagens terapêuticas que visam os mecanismos fundamentais do envelhecimento e da inflamação.