Cientistas revertem danos no fígado de camundongos removendo células ‘zumbis’

Um estudo conduzido pela University of California, Los Angeles (UCLA) Health Sciences analisou o papel de células imunes senescentes — frequentemente chamadas de “células zumbis” — em processos inflamatórios associados à doença hepática gordurosa. Os resultados foram publicados na revista Nature Aging.

A pesquisa investigou como essas células, que se acumulam com o envelhecimento e em condições de colesterol elevado, podem influenciar alterações metabólicas e inflamação em tecidos hepáticos.

Macrófagos senescentes e inflamação

O estudo foca na senescência celular, processo no qual células deixam de se dividir, mas permanecem ativas. Nesse estado, podem liberar sinais inflamatórios que afetam o funcionamento de tecidos ao redor.

Segundo o pesquisador Anthony Covarrubias, essas células podem interferir no equilíbrio do organismo, contribuindo para alterações inflamatórias em diferentes contextos biológicos.

Identificação de marcadores moleculares

A equipe identificou a combinação das proteínas p21 e TREM2 como um marcador associado a macrófagos senescentes. Esses dados ajudaram a diferenciar células funcionais de células com comportamento alterado.

Nos modelos analisados, a proporção dessas células foi maior em organismos mais envelhecidos, acompanhando o aumento de processos inflamatórios.

Relação com colesterol

Os experimentos também indicaram que níveis elevados de colesterol LDL podem estar associados ao aumento de características senescentes em macrófagos, incluindo alterações no comportamento celular e liberação de mediadores inflamatórios.

Segundo os autores, esse processo pode contribuir para alterações metabólicas em diferentes órgãos, embora os mecanismos ainda estejam em investigação.

Resultados em modelos experimentais

Em modelos animais, os pesquisadores utilizaram o composto ABT-263, que atua na eliminação de células senescentes, para avaliar possíveis efeitos fisiológicos.

Os resultados mostraram alterações em parâmetros metabólicos e na composição do tecido hepático após a intervenção. No entanto, os dados foram obtidos em ambiente experimental e não representam resultados clínicos diretos em humanos.

Relevância para estudos futuros

Análises de amostras humanas indicaram a presença de padrões semelhantes de macrófagos senescentes em tecidos hepáticos com alterações, sugerindo possível relação com processos inflamatórios crônicos.

Os autores destacam que novas pesquisas são necessárias para compreender melhor o papel dessas células em doenças humanas e avaliar possíveis aplicações clínicas.

Fontes: Estudo publicado na revista Nature Aging, conduzido pela UCLA Health Sciences, com dados experimentais e análises de tecidos. :contentReference[oaicite:0]{index=0}

Wendell Oliveira é editor da Globosfera e escreve sobre tecnologia, ciência, saúde, tendências digitais e atualidades, com foco em conteúdo informativo, claro e acessível.