A Meta, gigante dona do Facebook e Instagram, anunciou nesta quinta-feira (23) um plano de demissão que afetará cerca de 10% de sua força de trabalho, o que representa aproximadamente 8.000 pessoas. A medida se soma a uma onda de cortes no setor de tecnologia, impulsionada em parte pelos avanços e investimentos em Inteligência Artificial (IA).
Além das demissões, a empresa também confirmou o encerramento de cerca de 6.000 vagas em aberto. Segundo Janelle Gale, diretora de recursos humanos da Meta, as demissões, que entrarão em vigor em 20 de maio, fazem parte de um esforço contínuo para gerenciar a empresa de forma mais eficiente e permitir a compensação de outros investimentos significativos que estão sendo realizados.
Investimento massivo em Inteligência Artificial
A Meta tem direcionado recursos substanciais para o desenvolvimento e implementação de IA. A empresa gastou US$ 72,2 bilhões em despesas de capital em 2025, custos diretamente ligados à construção e manutenção de data centers e outras infraestruturas essenciais para a IA. As projeções indicam que esse valor deve aumentar para pelo menos US$ 115 bilhões em 2026, conforme divulgado em seu relatório de resultados de janeiro.
O investimento não se limita à infraestrutura. A Meta também tem focado na aquisição de talentos para seu laboratório de superinteligência e na compra de startups promissoras no setor de IA, como Moltbook e Manus. Essas ações visam fortalecer sua posição competitiva frente a outras empresas de ponta, como a OpenAI.
Tendência de cortes no setor de tecnologia
As demissões na Meta refletem uma tendência observada em diversas empresas de tecnologia ao longo do último ano. Muitas companhias têm justificado a redução de suas equipes pela capacidade da IA de aumentar a eficiência operacional. Em janeiro, a Amazon anunciou o corte de 16.000 funcionários, citando a necessidade de otimização. Em fevereiro, a fintech Block comunicou a demissão de 40% de seu quadro, mais de 4.000 pessoas, alertando que outras empresas seguiriam o mesmo caminho.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, já havia sinalizado em janeiro que a IA poderia levar a mudanças na força de trabalho. Ele previu que 2026 seria “o ano em que a IA começará a mudar drasticamente a forma como trabalhamos”, observando que projetos que antes demandavam grandes equipes agora podem ser realizados por um único profissional altamente qualificado.
Pacotes de demissão e histórico da empresa
Para os funcionários afetados nos Estados Unidos, a Meta oferecerá um pacote de desligamento que inclui 16 semanas de salário-base, acrescido de duas semanas adicionais para cada ano de serviço na empresa. Os pacotes para colaboradores em outros países seguirão uma estrutura semelhante.
Esta não é a primeira vez que a Meta realiza cortes em larga escala. Em 2022 e 2023, a empresa já havia eliminado dezenas de milhares de empregos, em grande parte como um ajuste após o pico de contratações e uso durante a pandemia de Covid-19. No ano passado, a companhia também mencionou o corte de cerca de 5% de “funcionários com menor desempenho”, embora houvesse planos de preencher muitas dessas posições.
As ações da Meta registraram uma queda de mais de 2% no mercado na tarde de quinta-feira, após o anúncio das demissões.
Fontes: Bloomberg; CNN.


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