Israel estende prisão de ativista brasileiro da flotilha de Gaza por mais dois dias

Um tribunal de Israel prorrogou por mais dois dias a prisão preventiva de dois ativistas detidos a bordo de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza. A decisão, informada pela advogada dos detidos neste domingo (3), estende a detenção até 5 de maio. O brasileiro Thiago Avila e o cidadão espanhol Saif Abu Keshek foram detidos pelas autoridades israelenses na noite de quarta-feira (29) e levados para Israel.

Interceptação em águas internacionais

Avila e Abu Keshek foram interceptados pelas forças israelenses em águas internacionais, próximo à Grécia. Mais de 100 outros ativistas pró-Palestina que participavam da mesma missão foram levados para a ilha grega de Creta. A ação de Israel gerou uma declaração conjunta dos governos da Espanha e do Brasil na sexta-feira (1°), que classificaram a detenção como ilegal.

Objetivo da flotilha e acusações

Os ativistas integravam a segunda flotilha Global Sumud, lançada em 12 de abril a partir de Barcelona. O objetivo declarado da missão era romper o bloqueio israelense imposto à Faixa de Gaza, entregando ajuda humanitária. As autoridades israelenses, no entanto, solicitaram uma prorrogação de quatro dias na prisão preventiva dos dois ativistas, sob alegações de crimes graves.

Segundo o grupo de direitos humanos Adalah, que auxilia na defesa dos ativistas, as suspeitas incluem auxílio ao inimigo em tempo de guerra, contato com um agente estrangeiro, participação e prestação de serviços a uma organização terrorista, além de transferência de bens para tal organização.

Defesa nega acusações e relata maus-tratos

A advogada Hadeel Abu Salih afirmou que seus clientes negam veementemente todas as acusações. Ela argumentou que a prisão foi ilegal, citando a falta de jurisdição das autoridades israelenses sobre o incidente ocorrido em águas internacionais. Abu Salih enfatizou que a missão tinha como finalidade prestar auxílio a civis em Gaza, e não a qualquer grupo específico.

A defensora também relatou que Abu Keshek e Avila foram submetidos a violência durante o trajeto para Israel. Segundo ela, os ativistas permaneceram algemados e vendados até a manhã de quinta-feira (30), após a detenção.

Posição de Israel

O Exército israelense não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as alegações de violência. Anteriormente, na quinta-feira (30), o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia classificado os organizadores da flotilha como “provocadores profissionais”. Em sua declaração, o ministério ressaltou: “Israel não permitirá a violação do bloqueio naval legal a Gaza”.

Fonte: CNN BRASIL

Wendell Oliveira é editor da Globosfera e escreve sobre tecnologia, ciência, saúde, tendências digitais e atualidades, com foco em conteúdo informativo, claro e acessível.
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