Em menos de dois meses desde o início do conflito com o Irã, o governo de Donald Trump já destinou mais de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 100 bilhões) em armamentos, com destaque para mísseis. A informação, baseada em estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), revela um alto custo financeiro e de recursos bélicos para os Estados Unidos em um período relativamente curto.
Alto custo financeiro e de recursos
O montante gasto em armamentos supera o Produto Interno Bruto (PIB) de diversas nações, como Guiana e Montenegro, evidenciando a magnitude do investimento militar. Segundo o levantamento do CSIS, realizado em 21 de março, os Estados Unidos podem ter consumido mais da metade do seu estoque pré-guerra em quatro dos sete tipos de armas consideradas essenciais para a ofensiva contra o Irã. Essa situação é agravada pelo fato de que os níveis de armamento antes do conflito já eram considerados baixos para um eventual confronto com uma potência militar equivalente, como a China.
Fontes do jornal The New York Times indicam que o gasto total americano com o conflito pode ter ultrapassado os US$ 28 bilhões (cerca de R$ 140 bilhões). O Departamento de Defesa dos EUA, no entanto, não divulgou oficialmente o número exato de munições utilizadas.
Estoques em baixa e vulnerabilidade estratégica
Apesar do alto consumo, o CSIS aponta que os EUA ainda dispõem de mísseis suficientes para manter a guerra. Contudo, a utilização expressiva de armamentos pode deixar o país em uma posição vulnerável caso novos conflitos surjam. Aliados que dependem do fornecimento americano, como a Ucrânia, também podem ser impactados. O estudo sugere que, mesmo com o esgotamento de armas de ponta, os EUA poderiam recorrer a alternativas, mas estas possuem menor alcance, elevando o risco das operações ao exigir lançamentos mais próximos dos alvos.
A preocupação com os níveis de estoque já existia antes mesmo do início da ofensiva. Relatos do Washington Post indicaram que o arsenal americano estava em baixa devido ao apoio contínuo aos conflitos na Ucrânia e em Israel. Em março, o presidente Donald Trump reconheceu a escassez de armas de ponta, mas assegurou que o país possui estoques “praticamente ilimitados” de armas de médio e médio-alto alcance, afirmando que “guerras podem ser travadas ‘para sempre’ e com muito sucesso, usando apenas esses suprimentos”.
Reposição lenta e capacidade iraniana subestimada?
O governo americano firmou acordos recentes com a indústria de defesa para aumentar a produção de armamentos. No entanto, o CSIS alerta que a reposição é um processo lento. A produção de alguns itens pode levar meses para ser concluída, com poucas unidades sendo entregues no curto prazo. Historicamente, o prazo de produção de um lote era de cerca de 24 meses, mas com o aumento da demanda superando a capacidade produtiva nos últimos anos, os prazos de entrega se estenderam para 36 meses ou mais, totalizando cerca de 52 meses – mais de quatro anos – para a produção completa de um lote.
Em contrapartida, uma reportagem da CBS News sugere que o Irã pode possuir uma capacidade militar superior à admitida publicamente pelos Estados Unidos. Embora o presidente Trump tenha declarado que os EUA “aniquilaram” a Marinha e a Força Aérea iranianas, e o secretário de Guerra Pete Hegseth tenha afirmado que as Forças Armadas iranianas foram “dizimadas”, autoridades ouvidas pela emissora indicam que o Irã ainda mantém metade de seu arsenal de mísseis balísticos e sistemas de lançamento intacto, com indícios de que parte dessas armas esteja armazenada em cavernas ou bunkers.
O Irã demonstrou parte de seu poderio em um desfile militar em Teerã, exibindo mísseis balísticos como o Khorramshahr-4, com alcance estimado em 2.000 quilômetros. Apesar disso, as forças iranianas têm mostrado sinais de enfraquecimento, com uma queda drástica no número de lançamentos de mísseis e drones em comparação com os primeiros dias da guerra. Relatórios da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, contudo, apontam que o Irã ainda possui milhares de mísseis e drones capazes de ameaçar forças americanas e aliadas na região, apesar das perdas. O documento também ressalta que as forças terrestres e aéreas iranianas possuem equipamentos ultrapassados e treinamento limitado, tornando-as “quase certamente incapazes de derrotar um adversário tecnologicamente superior”.
Fonte: Site G1


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