Fóssil de 550 milhões de anos desvenda mistério da evolução das esponjas marinhas

Um fóssil raro, datado de cerca de 550 milhões de anos, está ajudando cientistas a preencher uma lacuna de aproximadamente 160 milhões de anos no registro fóssil das esponjas marinhas. O estudo, publicado na revista Nature, sugere que as primeiras esponjas da Terra podem ter sido organismos de corpo mole, o que dificultou sua preservação ao longo do tempo.

Uma lacuna no registro fóssil

As esponjas marinhas são consideradas alguns dos animais mais antigos do planeta. Modelos baseados em relógios moleculares indicam que sua origem remonta a cerca de 700 milhões de anos. No entanto, registros fósseis claros só aparecem por volta de 540 milhões de anos, criando uma diferença significativa de evidências ao longo do tempo.

O novo fóssil ajuda a reduzir essa lacuna, oferecendo uma explicação plausível para a escassez de registros mais antigos e ampliando a compreensão sobre a evolução inicial dos animais.

Esponjas sem estruturas mineralizadas

De acordo com o geobiólogo Shuhai Xiao, da Virginia Tech, as primeiras esponjas podem não possuir estruturas rígidas mineralizadas. Essa característica tornaria sua fossilização muito menos provável em comparação com organismos que possuem esqueletos duros.

Essa hipótese ajuda a explicar por que formações rochosas do período em que esses organismos teriam surgido não apresentam fósseis evidentes desse grupo.

Descoberta no rio Yangtze

O fóssil foi identificado a partir de um espécime encontrado ao longo do rio Yangtze, na China, e analisado por uma equipe internacional que incluiu pesquisadores da Universidade de Cambridge e do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing.

Os cientistas descartaram outras possibilidades, como ascídias, anêmonas marinhas e corais, restando a interpretação mais consistente de que se trata de uma forma ancestral de esponja marinha.

O fóssil apresenta um padrão superficial detalhado, com uma estrutura em grade composta por unidades repetidas. O organismo também chamou atenção pelo tamanho, com cerca de 38 centímetros de comprimento, e por seu formato cônico relativamente complexo.

Impacto na compreensão da vida primitiva

A descoberta sugere que muitos dos primeiros animais podem ter tido corpos frágeis e altamente suscetíveis à decomposição, o que reduz significativamente as chances de preservação no registro fóssil.

Com isso, pesquisadores podem precisar revisar as estratégias de busca por evidências de vida primitiva, priorizando ambientes e condições raras que favoreçam a preservação de organismos de corpo mole.

Fontes: Estudo publicado na revista Nature e pesquisa conduzida pela Virginia Tech, com colaboração da Universidade de Cambridge e do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing.

Wendell Oliveira é editor da Globosfera e escreve sobre tecnologia, ciência, saúde, tendências digitais e atualidades, com foco em conteúdo informativo, claro e acessível.