Esponjas de limpeza comuns liberam trilhões de microplásticos, aponta estudo

As esponjas de melamina, conhecidas pela alta eficiência na remoção de manchas difíceis, podem estar contribuindo para a poluição ambiental ao liberar grandes quantidades de microplásticos. Um estudo recente indica que o desgaste natural dessas esponjas gera microfibras plásticas que podem alcançar sistemas de água e, eventualmente, entrar na cadeia alimentar.

Como funcionam as esponjas de melamina

Também chamadas de “esponjas mágicas”, elas são feitas de poli(melamina-formaldeído), um material rígido com estrutura semelhante a uma lixa ultrafina. Esse formato permite remover sujeiras sem o uso de produtos químicos. No entanto, o mesmo efeito abrasivo responsável pela limpeza também provoca o desgaste do material, liberando partículas microscópicas.

Liberação de microplásticos e impacto ambiental

Durante o uso, fragmentos da esponja se desprendem e se tornam microfibras plásticas — partículas menores que 5 milímetros. Essas fibras podem passar pelos sistemas de tratamento de esgoto e alcançar rios, lagos e oceanos, onde podem ser ingeridas por organismos aquáticos e, potencialmente, chegar aos seres humanos.

O que diz o estudo

Pesquisadores como Yu Su, Baoshan Xing e Rong Ji analisaram produtos de três marcas populares, simulando o uso cotidiano em superfícies metálicas. Os resultados mostraram que a densidade da esponja influencia diretamente a liberação de partículas: modelos mais densos tendem a se desgastar mais lentamente e liberar menos microplásticos.

Estimativa global da poluição

Segundo o estudo, uma única esponja pode liberar cerca de 6,5 milhões de microfibras por grama de material perdido. Com base em dados de vendas, os pesquisadores estimam que aproximadamente 1,55 trilhão de microfibras podem ser liberadas mensalmente no mundo. O número real pode ser ainda maior, já que a estimativa considera apenas uma plataforma de vendas.

Como reduzir o impacto

Entre as possíveis soluções estão a fabricação de esponjas mais duráveis e o uso de alternativas sem plástico. Além disso, melhorias nos sistemas de filtragem de água podem ajudar a reter parte desses microplásticos antes que alcancem o meio ambiente.

Um problema invisível no dia a dia

Apesar da praticidade, o uso frequente das esponjas de melamina pode representar uma fonte pouco percebida de poluição. O estudo reforça a necessidade de avaliar o impacto ambiental de produtos comuns e buscar alternativas mais sustentáveis.

Wendell Oliveira é editor da Globosfera e escreve sobre tecnologia, ciência, saúde, tendências digitais e atualidades, com foco em conteúdo informativo, claro e acessível.