Um relevo calcário de 4 mil anos, que ilustra as estações do calendário egípcio, foi roubado da mastaba de Khentika, vizir do faraó Teti, na necrópole de Saqqara, no Egito. O desaparecimento da peça, datada entre 2700 a.C. e 2200 a.C., foi comunicado pelas autoridades egípcias em outubro do ano passado.
Saqqara: Um Tesouro Arqueológico Ameaçado
Saqqara, reconhecida como a maior necrópole do Egito, é um sítio de imenso valor histórico, abrigando monumentos que remontam ao Antigo Império. Entre suas relíquias mais notáveis estão a pirâmide em degraus do faraó Djoser e diversas mastabas, túmulos retangulares que incluem uma das mais antigas, datada da Primeira Dinastia, do reinado de Hor Aha.
O roubo do relevo de Khentika ocorreu em um contexto de preocupação com a segurança do patrimônio. Menos de um mês antes, uma pulseira de 3.000 anos pertencente ao faraó Amenemope havia sido furtada do Museu Egípcio do Cairo e subsequentemente derretida após ser traficada no mercado paralelo.
Um Relevo Único e Raro
O artefato subtraído é particularmente valioso por ser um dos dois únicos relevos conhecidos a representar a ilustração das estações do calendário egípcio. A peça retrata Khentika, que detinha títulos como “Sacerdote da Deusa Maat” e “Supervisor do Palácio Real”, em frente a um cavalete, pintando as três estações: Akhet (inundação do Nilo), Peret (plantio) e Shemu (colheita).
Descoberto originalmente pelo egiptólogo britânico T.B.H. James em 1952, o relevo ocupava um grande monólito na parede sul da câmara de entrada da mastaba, bloqueando uma porta que levaria à Sala 5. James notou particularidades em relação a outros relevos, como o de Mereruka, outro vizir.
Singularidades e Detalhes da Representação
Diferentemente do relevo de Mereruka, as personificações das estações no artefato de Khentika estão ajoelhadas, em vez de sentadas, e não são marcadas por hieróglifos específicos. Khentika também não exibe um segundo cavalete ou uma paleta de tinta sobre o ombro, como Mereruka. Contudo, ambos possuem potes de água à frente, e Khentika apresenta um objeto que parece ser um suporte para o seu pote.
O relevo ainda detalha a presença de três acompanhantes de Khentika: seu filho Djedi-teti, seu oficial Mesi e um terceiro atendente não identificado, que levam materiais de escrita para o vizir. O arqueólogo Ali Abu Deshish descreveu o roubo como “uma catástrofe por todos os padrões”, enfatizando que as antiguidades egípcias “não estão à venda. Elas pertencem à herança de toda a humanidade”.
Em resposta ao incidente, o Ministério das Antiguidades do Egito declarou que todas as ações legais necessárias foram tomadas e o caso foi “encaminhado ao Ministério Público para investigação”. As autoridades reafirmaram o compromisso em garantir a preservação e proteção do patrimônio arqueológico egípcio contra violações ilegais.
Fonte: Aventuras Na história










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