O secretário-geral da CAF (Confederação Africana de Futebol), Veron Mossengo-Omba, de 66 anos, renunciou ao cargo neste domingo (29), após pressões e em um momento de turbulência para o futebol no continente. A saída ocorre em meio a uma crise de confiança na liderança da organização, com repercussão sobre a decisão de retirar o título da Copa Africana das Nações do Senegal e pedidos de investigação sobre suposta corrupção no órgão.
Mossengo-Omba alegou aposentadoria, mas sua saída acontece após uma onda de críticas à sua permanência no cargo, que já ultrapassava a idade obrigatória de aposentadoria da organização, fixada em 63 anos. As críticas vieram tanto das redes sociais quanto de membros do comitê executivo da CAF.
“Após mais de 30 anos de uma carreira profissional internacional dedicada a promover uma forma ideal de futebol que une as pessoas, educa e cria oportunidades de esperança, decidi deixar meu cargo de secretário-geral da CAF para me dedicar a projetos mais pessoais”, disse Mossengo-Omba em comunicado. Ele também afirmou que se aposenta “com tranquilidade e sem constrangimentos, deixando a CAF mais próspera do que nunca”.
A CAF anunciou que seu diretor de Competições, Samson Adamu, assumirá como secretário-geral interino. Mossengo-Omba era uma figura controversa, acusado por alguns funcionários de criar um ambiente de trabalho tóxico, embora uma investigação o tenha inocentado de irregularidades.
O dirigente, de origem congolesa e cidadão suíço, também é ex-funcionário da FIFA e colega de universidade do presidente da entidade, Gianni Infantino. Apesar de alegar aposentadoria, Mossengo-Omba deve concorrer ao cargo de presidente da federação de futebol da República Democrática do Congo nas próximas eleições. Se eleito, poderá disputar o cargo máximo da CAF caso Motsepe renuncie para entrar na política na África do Sul.
No início do mês, Motsepe admitiu que a CAF enfrenta dificuldades com questionamentos sobre sua integridade. Após a controvérsia da final da Copa das Nações, o governo do Senegal pediu uma investigação internacional sobre a gestão da organização. A retirada do título da Copa das Nações do Senegal, decidida pelo Conselho de Apelações da CAF, impactou a imagem do futebol africano. O Marrocos será uma das sedes da Copa do Mundo de 2030, ao lado de Espanha e Portugal.
A crise na CAF ocorre em um momento crucial para o futebol africano, com o continente buscando maior representatividade e influência no cenário global. As alegações de corrupção e a falta de transparência na gestão da entidade representam um obstáculo para o desenvolvimento do esporte na região e minam a confiança dos torcedores e patrocinadores. A renúncia de Mossengo-Omba pode ser um passo para a reestruturação da CAF e a busca por uma gestão mais ética e eficiente.
A eleição para a presidência da federação de futebol da República Democrática do Congo ganha ainda mais importância, já que o vencedor poderá desafiar a liderança de Motsepe na CAF. A disputa promete ser acirrada e pode ter um impacto significativo no futuro do futebol africano.










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