Peixes Salmão do Atlântico Nadam o Dobro Sob Efeito de Cocaína em Estudo na Suécia

A poluição por cocaína está alterando o comportamento de peixes salmão do Atlântico, levando-os a nadar distâncias significativamente maiores e a se dispersar por áreas mais amplas. Uma nova pesquisa, coordenada por um consórcio internacional de universidades e institutos de pesquisa, traz as primeiras evidências de que esses efeitos ocorrem não apenas em laboratório, mas também em ambientes naturais complexos.

Efeitos em Ambiente Selvagem

O estudo, publicado na revista Current Biology e coordenado pela Griffith University, Swedish University of Agricultural Sciences, Zoological Society of London e Max Planck Institute of Animal Behavior, monitorou 105 salmões juvenis do Atlântico no Lago Vättern, na Suécia. Os peixes foram equipados com dispositivos que liberavam gradualmente substâncias químicas. Eles foram divididos em três grupos: um grupo controle, sem exposição; um grupo exposto à cocaína; e um grupo exposto à benzoylecgonina, o principal metabólito da cocaína frequentemente encontrado em águas residuais.

Metabólito da Cocaína Causa Maior Dispersão

Após um período de dois meses, os pesquisadores observaram que os salmões expostos à benzoylecgonina nadaram até 1,9 vezes mais longe em comparação com o grupo controle. Essa exposição levou à dispersão dos peixes por uma área de aproximadamente 32 quilômetros a partir do ponto de liberação. O achado é notável porque o efeito mais pronunciado não foi observado no grupo exposto à cocaína em si, mas sim ao seu metabólito.

Implicações para Monitoramento Ambiental

A descoberta de que o metabólito da cocaína tem um impacto comportamental mais forte em salmões do Atlântico tem implicações significativas para o monitoramento ambiental. Como os metabólitos são frequentemente mais prevalentes em corpos d’água, as avaliações de risco atuais, que tendem a focar no composto principal, podem estar negligenciando efeitos biológicos importantes. A alteração nos padrões de movimento dos peixes pode afetar ecossistemas inteiros, impactando cadeias alimentares e a estrutura populacional.

Exposição Constante de Animais a Drogas Sintéticas

Os cientistas ressaltam que a presença de drogas sintéticas no ambiente aquático é uma realidade global, com cocaína e seus derivados sendo detectados em rios e lagos em todo o mundo, principalmente através de sistemas de tratamento de esgoto. Embora a ideia de peixes sob efeito de cocaína possa parecer surpreendente, a vida selvagem está, de fato, exposta diariamente a uma vasta gama de medicamentos e drogas produzidos pelo homem. Os próximos passos da pesquisa incluem determinar a extensão desses efeitos em outras espécies, identificar quais delas estão mais em risco e avaliar se as alterações comportamentais se traduzem em mudanças na sobrevivência e reprodução.

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