Um estudo recente com ossos de galinha encontrados no sítio arqueológico de Gungok-ri, na Coreia do Sul, forneceu novas evidências de que essas aves já eram domesticadas na região há aproximadamente 2 mil anos. A pesquisa, liderada por Kyungcheol Choy, da Universidade de Hanyang, ERICA, e publicada no Journal of Archaeological Science: Reports, utilizou técnicas avançadas para superar desafios na identificação de restos de aves.
Desafios na identificação e a solução molecular
A identificação de ossos de galinha em sítios arqueológicos coreanos sempre apresentou um obstáculo devido à semelhança com ossos de faisão selvagem, especialmente em fragmentos. Para contornar essa dificuldade, os pesquisadores empregaram a Zooarqueologia por Espectrometria de Massas (ZooMS). Este método inovador analisa os peptídeos de colágeno preservados nos ossos, permitindo a identificação de espécies através de padrões moleculares únicos.
A aplicação da ZooMS permitiu a análise de 14 amostras de ossos de aves da família dos faisões. A técnica confirmou a presença de cinco espécimes de galinha, um número superior às quatro aves identificadas em pesquisas anteriores baseadas apenas na morfologia dos ossos, oferecendo assim evidências mais robustas sobre a presença dessas aves.
Cronologia e evidências de manejo
A datação por radiocarbono dos restos ósseos indicou que as galinhas viveram em Gungok-ri entre aproximadamente 80 e 361 d.C., um período que corresponde aos Proto-Três Reinos da Coreia (108 a.C. a 313 d.C.). Os achados sugerem que essas aves foram mantidas no local por mais de três séculos.
Além da identificação, a equipe analisou isótopos estáveis presentes no colágeno ósseo. Os resultados revelaram valores de nitrogênio em torno de 4‰, um padrão consistente com dietas influenciadas por práticas humanas. Essa descoberta é interpretada como uma forte evidência de que as galinhas eram criadas e manejadas pelas comunidades locais, e não simplesmente caçadas.
Implicações para a dispersão de galinhas no Leste Asiático
O estudo de Gungok-ri contribui significativamente para o debate sobre a dispersão das galinhas domésticas pelo Leste Asiático. Embora a hipótese de que essas aves migraram da China para o Japão via Coreia seja amplamente defendida, as provas diretas na península coreana eram escassas até agora. O material analisado situa a presença de galinhas domésticas sob manejo humano na Coreia entre os séculos 1 e 4 d.C.
Esta pesquisa marca o primeiro uso da técnica ZooMS em restos de aves na arqueologia coreana. Os pesquisadores esperam que a aplicação deste método em outros sítios arqueológicos possa ajudar a estabelecer uma cronologia mais precisa sobre a chegada das galinhas à Coreia e o desenvolvimento das práticas de criação animal na região.
Fonte: Aventuras Na história
- Journal of Archaeological Science: Reports
- Archaeology News


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