Um menino de sete anos, identificado como Roo, foi hospitalizado após ser acidentalmente envenenado com uma dose tóxica de vitamina D. O caso ocorreu após a prescrição de suplementos vitamínicos para tratar suas dores crescentes, revelando uma falha na regulamentação e distribuição desses produtos.
Sintomas e Diagnóstico Inicial
No início do ano passado, Roo começou a apresentar sintomas preocupantes, como perda de peso acentuada e sede excessiva. Inicialmente, os médicos suspeitaram de um possível tumor cerebral, o que levou a uma série de investigações. No entanto, os exames revelaram que o menino havia sido, na verdade, envenenado por uma overdose de vitamina D, prescrita para aliviar suas dores de crescimento.
Concentração Irregular e Lesão Renal
A concentração do frasco de vitamina D3 em gotas consumido por Roo era aproximadamente sete vezes maior do que o padrão. O produto fazia parte de um lote defeituoso de produção, distribuído no Reino Unido. Essa dosagem excessiva resultou em lesão renal aguda, e um especialista informou à BBC que Roo poderia ter falecido se tivesse continuado o tratamento até o fim.
Regulamentação de Suplementos Vitamínicos
No Reino Unido, a vitamina D em dosagens elevadas, mesmo quando prescrita por médicos, é classificada como suplemento alimentar e não é regulamentada pela MHRA (Agência Reguladora de Remédios e Produtos para Assistência Médica). A Agência de Padrões Alimentares (FSA) é o órgão responsável pelo acompanhamento de vitaminas e suplementos alimentares no país. A MHRA afirma que trabalha em conjunto com a FSA para garantir a segurança pública, mas especialistas defendem que a regulamentação dos suplementos vitamínicos deveria ser revista.
O Caso de Roo e a Prescrição de Vitamina D3
Em dezembro de 2024, Roo recebeu a prescrição de uma alta dose de vitamina D3 em gotas, com duração de 12 semanas, para atenuar suas intensas dores nas pernas. A receita foi emitida após o encaminhamento do menino para a pediatria do hospital Crosshouse, próximo à sua residência em Kilmarnock, Escócia. Exames de sangue indicaram que ele estava saudável, exceto por um nível levemente baixo de vitamina D. Para corrigir essa deficiência, foram prescritos suplementos contendo vitamina D3, também conhecida como colecalciferol.
Piora e Internação Hospitalar
Nas semanas seguintes ao início da suplementação, Roo apresentou sonolência, falta de apetite, perda de peso e sede intensa. Ele também sofreu crises de vômito durante todo o mês de janeiro e dificuldades para se alimentar. A mãe de Roo, Carys Hobbs-Sargeant, relatou que o filho perdeu mais de 10% do peso corporal em seis semanas e estava extremamente debilitado. Após nova consulta com o pediatra, Roo foi imediatamente internado.
Investigação e Descoberta do Lote Contaminado
Os exames iniciais revelaram que Roo estava com lesão renal aguda e hipercalcemia. A investigação do caso envolveu equipes do Hospital Real Infantil de Glasgow, e uma ligação telefônica fortuita com um endocrinologista forneceu a informação crucial. Um colega de Manchester mencionou a existência de um “lote ruim” de vitamina D3, permitindo que a equipe identificasse o frasco utilizado por Roo. A partir daí, concluiu-se que o menino havia sido envenenado pelo suplemento contaminado.
Recall e Falhas na Comunicação
O frasco de vitamina de Roo foi identificado como pertencente a um dos dois lotes defeituosos de suplementos Aactive D3 da empresa TriOn Pharma, distribuídos no Reino Unido. O suplemento possuía uma concentração sete vezes maior do que a indicada. A FSA emitiu um recall dos lotes irregulares em 9 de janeiro, mas a filial escocesa (FSS) declarou que o alerta não chegou aos departamentos corretos. A farmácia que forneceu o frasco só recebeu o e-mail sobre o recall cerca de três meses após o envio.
Outro Caso: Kayan Khan
Um mês antes de Roo iniciar o tratamento, Kayan Khan, de 13 anos, também recebeu a prescrição da mesma marca de suplementos. Kayan foi internado com altos níveis de cálcio e redução da função renal. A mãe de Kayan só soube do recall em abril de 2025, e ele pode precisar de um transplante no futuro.
Consequências a Longo Prazo
Os níveis de vitamina D de Roo levaram cerca de um ano para retornar à faixa de segurança, e os efeitos a longo prazo ainda são incertos. Carys Hobbs-Sargeant relatou que o filho agora precisa de uma cadeira de rodas para se locomover em distâncias maiores e ainda enfrenta dificuldades diárias.








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