Um novo estudo da Iowa State University adverte que o uso de linguagem antropomórfica para descrever a inteligência artificial (IA) pode levar a interpretações equivocadas sobre suas reais capacidades. Ao atribuir características humanas à IA, como “saber” ou “entender”, corre-se o risco de obscurecer a linha entre o que as máquinas e os humanos podem realmente fazer.
O Perigo da Linguagem Humanizada na Descrição da IA
Segundo os pesquisadores, o uso de verbos mentais como “pensar”, “saber”, “entender” e “querer” pode criar uma falsa impressão de que a IA possui pensamentos, intenções ou consciência. Na realidade, a IA produz respostas analisando padrões em dados, sem formar ideias ou tomar decisões conscientes.
Jo Mackiewicz, professora de inglês na Iowa State, e Jeanine Aune, professora de ensino de inglês e diretora do programa de comunicação avançada na mesma universidade, destacam que essa linguagem pode superestimar o que a IA é capaz de fazer, levando a expectativas irrealistas sobre sua confiabilidade e capacidade.
Análise de Linguagem em Notícias sobre IA
Para entender a frequência com que essa linguagem aparece, a equipe de pesquisa analisou o News on the Web (NOW), um conjunto de dados massivo com mais de 20 bilhões de palavras de artigos de notícias em inglês publicados em 20 países. O foco foi na frequência com que verbos mentais como “aprende”, “significa” e “sabe” eram usados junto com termos como IA e ChatGPT.
Resultados Inesperados na Linguagem Jornalística
O estudo revelou que os redatores de notícias não costumam associar termos relacionados à IA com verbos mentais. Embora a antropomorfização seja comum na fala cotidiana, ela aparece com muito menos frequência na escrita jornalística. Entre os exemplos identificados, a palavra “precisa” apareceu com mais frequência com IA, surgindo 661 vezes. Para o ChatGPT, “sabe” foi o emparelhamento mais frequente, mas apareceu apenas 32 vezes.
Os pesquisadores observaram que os padrões editoriais podem desempenhar um papel. As diretrizes da Associated Press, que desencorajam a atribuição de emoções ou traços humanos à IA, podem estar influenciando a forma como os jornalistas escrevem sobre essas tecnologias.
Contexto e Nuances da Linguagem Antropomórfica
Mesmo quando os verbos mentais foram usados, nem sempre foram antropomórficos. Por exemplo, a palavra “precisa” frequentemente descrevia requisitos básicos, como “IA precisa de grandes quantidades de dados”. O estudo também mostrou que nem todos os usos de verbos mentais são iguais, com algumas frases se aproximando mais da sugestão de qualidades semelhantes às humanas.
Implicações das Escolhas de Linguagem sobre IA
Os resultados destacam a importância do contexto. Contar palavras não é suficiente para entender como a linguagem molda o significado. As escolhas de linguagem moldam a forma como os leitores entendem os sistemas de IA, suas capacidades e os humanos responsáveis por eles.
À medida que a IA continua a se desenvolver, a forma como as pessoas falam sobre ela permanecerá importante. Escritores precisarão estar atentos a como as escolhas de palavras influenciam a percepção, e estudos futuros poderão explorar como diferentes palavras moldam a compreensão e se usos raros de linguagem antropomórfica têm um forte impacto sobre como as pessoas veem a IA.


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