Guerra no Irã: Economia Global pode perder até US$ 1 trilhão enquanto petrolíferas dobram lucros

Um conflito no Irã tem o potencial de infligir um dano econômico global que pode variar entre US$ 600 milhões e US$ 1 trilhão, segundo análise da organização 350.org, que utilizou dados do FMI (Fundo Monetário Internacional). A instabilidade na região impacta diretamente o fornecimento de petróleo, com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da produção mundial do combustível, sendo um dos principais fatores de preocupação.

Lucros Recordes para Petrolíferas em Meio à Crise

Enquanto a economia mundial enfrenta a perspectiva de perdas bilionárias, grandes empresas do setor petrolífero registram lucros expressivos. A petrolífera britânica BP, por exemplo, anunciou que seus lucros no primeiro trimestre do ano mais que dobraram em comparação com o mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 3,2 bilhões (aproximadamente R$ 17,5 bilhões). Esse aumento coincide com a escalada dos preços do petróleo desde o início das tensões no Irã.

A diretora executiva da 350.org, Anne Jellema, criticou a situação, afirmando que grande parte desses lucros astronômicos é obtida “às custas de uma guerra que já matou milhares e empobreceu milhões”. Ela ressaltou que, mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, uma quantia “obscena de dinheiro” continuará a fluir para as companhias petrolíferas, enquanto pessoas comuns lutam para arcar com os custos de combustível, eletricidade e alimentos.

Impactos Indiretos e Aumento do Preço do Petróleo

O jornal The Guardian avalia que a estimativa de prejuízos para a economia mundial pode ser ainda maior, pois não considera os efeitos indiretos da inflação. Entre eles estão o aumento dos custos de fertilizantes e alimentos, a consequente menor atividade econômica e o potencial aumento do desemprego. O conflito, que envolve os Estados Unidos como um dos maiores produtores de petróleo, elevou o preço do barril de petróleo cru de aproximadamente US$ 70 (R$ 350) para cerca de US$ 110 (R$ 550), com o barril Brent chegando a atingir US$ 120 (R$ 600) em determinado momento, conforme noticiado pela BBC.

Propostas para Transição Energética e Críticas de Nações Afetadas

Diante desse cenário, a organização 350.org defende a implementação urgente de um imposto sobre lucros extraordinários das petrolíferas. Os fundos arrecadados poderiam ser direcionados para proteção social e investimentos em energias renováveis, consideradas mais baratas, limpas e confiáveis que as alternativas fósseis. Essas discussões ocorrem em meio à primeira conferência sobre a transição energética, realizada em Santa Marta, Colômbia, onde mais de 50 nações debateram o fim da dependência de gás, petróleo e carvão.

Países vulneráveis às mudanças climáticas expressaram suas críticas. Tina Stege, enviada para o clima das Ilhas Marshall, relatou a declaração de estado de emergência por 90 dias no país devido à crise de combustíveis fósseis, com o governo parando suas atividades às 15h diariamente para economizar energia. Nações africanas e o Brasil têm tentado mitigar o aumento do preço do petróleo por meio da redução de impostos sobre combustíveis, uma medida que, segundo o The Guardian, frequentemente resulta em menores investimentos em saúde, educação e infraestrutura, funcionando como um subsídio às petrolíferas.

Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda, resumiu o impacto sobre os cidadãos: “Os cidadãos pagam por isso três vezes: na bomba de gasolina, por meio dos impostos e pelos danos que os combustíveis fósseis causam à saúde pública, ao planeta e às economias.”

Fonte: Um Só Planeta

  • Análise 350.org com dados do FMI, reportada pelo The Guardian e BBC

Wendell Oliveira é editor da Globosfera e escreve sobre tecnologia, ciência, saúde, tendências digitais e atualidades, com foco em conteúdo informativo, claro e acessível.