Um tipo específico de geleira, conhecido como geleira de surto, está chamando a atenção de cientistas por seu comportamento imprevisível e potencial destrutivo. Diferente das geleiras comuns, essas formações podem acelerar repentinamente, aumentando significativamente o risco de desastres naturais.
Um estudo da Universidade de Portsmouth identificou mais de 3.100 geleiras de surto em todo o mundo, com maior concentração no Ártico e na região do Karakoram, áreas onde comunidades podem ser diretamente afetadas.
O que são geleiras de surto
Geleiras de surto são aquelas que passam por períodos de movimento extremamente rápido após longos intervalos de estabilidade. Durante esses episódios, o gelo pode avançar de forma abrupta por quilômetros, alterando rapidamente a paisagem.
Esses eventos podem durar anos e costumam ocorrer em ciclos, intercalados com fases de movimentação lenta.
Onde elas estão concentradas
De acordo com o estudo publicado na revista Nature Reviews Earth and Environment, essas geleiras não estão distribuídas de forma uniforme. Elas se concentram principalmente em:
- Regiões do Ártico
- Ásia de alta montanha (como o Karakoram)
- Andes
Principais riscos associados
- Avanço repentino do gelo: pode atingir áreas habitadas e infraestrutura
- Bloqueio de rios: formação de lagos instáveis com risco de rompimento
- Inundações súbitas: liberação rápida de água de degelo
- Avalanches: desprendimento de grandes massas de gelo e rocha
- Fissuras no terreno: aumento do risco em áreas de travessia
- Formação de icebergs: impacto potencial na navegação
Mudanças climáticas e imprevisibilidade
Os pesquisadores apontam que o aquecimento global está alterando o comportamento dessas geleiras, tornando os surtos mais difíceis de prever. Eventos climáticos extremos, como verões mais quentes e chuvas intensas, podem antecipar ou intensificar esses episódios.
Importância do monitoramento
Diante desse cenário, o monitoramento contínuo por satélite, aliado a estudos de campo e modelos climáticos mais avançados, torna-se essencial para reduzir riscos e melhorar a capacidade de previsão.
Especialistas também destacam a necessidade de sistemas de alerta precoce e planos de evacuação para proteger comunidades próximas a essas áreas.
Fontes: Estudo da Universidade de Portsmouth publicado na revista Nature Reviews Earth and Environment.


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