As concessões de empréstimos no Brasil registraram um aumento expressivo de 20,3% em março, na comparação com o mês anterior. Paralelamente, o estoque total de crédito expandiu-se em 0,9% no mesmo período, alcançando o montante de R$ 7,21 trilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (27).
Crescimento em Recursos Livres e Direcionados
No mês de março, os financiamentos concedidos com recursos livres, modalidade em que as condições são negociadas diretamente entre bancos e tomadores, apresentaram uma alta de 19,4% em relação a fevereiro. Já as operações com recursos direcionados, que seguem parâmetros estabelecidos pelo governo, demonstraram um avanço ainda mais acentuado, com 29,3% no período.
Inadimplência e Juros em Março
A inadimplência no segmento de recursos livres, que mede o percentual de dívidas não pagas, situou-se em 5,7% em março, apresentando uma leve queda em relação aos 5,8% registrados em fevereiro. No que diz respeito às taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras, o crédito livre teve uma redução de 0,1 ponto percentual, fechando em 48,3% ao ano. Em contrapartida, nos recursos direcionados, a taxa de juros média cobrada apresentou alta de 0,7 ponto, atingindo 12,1% ao ano.
O spread bancário, que representa a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final repassada ao cliente, também mostrou variação. Nos recursos livres, o spread caiu para 34,6 pontos percentuais em março, ante 35,1 pontos no mês anterior.
Endividamento Familiar Alcança Patamar Histórico
Apesar do aquecimento do crédito, os dados sobre o endividamento das famílias brasileiras revelam um cenário preocupante. O indicador de endividamento atingiu 49,9% em fevereiro, o maior patamar desde o início da série histórica em 2005. Este índice relaciona o saldo das dívidas com a renda acumulada em 12 meses, e em janeiro estava em 49,76%.
O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas também bateu um recorde, chegando a 29,7%. Esse cenário de endividamento crescente ocorre em meio a iniciativas de estímulo ao crédito e a taxas de juros ainda elevadas.
Em resposta a essa situação, o governo anunciou que apresentará nesta semana um novo pacote de medidas. A iniciativa prevê a renegociação de dívidas com desconto, mediante a concessão de garantias pela União. Anteriormente, entre 2023 e 2024, o programa Desenrola já havia sido implementado com objetivo semelhante, renegociando R$ 53 bilhões em dívidas de aproximadamente 15 milhões de pessoas.
Fonte: CNN BRASIL










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