A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados deu um passo importante na proteção de pessoas com Alzheimer ao aprovar, na última sexta-feira (15), o Projeto de Lei 334/26. A proposta, de autoria da deputada Laura Carneiro, institui o uso do cordão roxo como um símbolo de identificação para indivíduos com a doença, visando facilitar seu reconhecimento em espaços públicos e prevenir situações de desconforto ou conflito.
Próximos passos do PL e debate sobre a identificação
Para que o Projeto de Lei 334/26 se torne lei, ele ainda precisará ser analisado por mais duas comissões na Câmara dos Deputados antes de seguir para votação no Senado Federal. A iniciativa busca aprimorar as medidas de acolhimento e segurança para pessoas com demência em locais de circulação coletiva.
O geriatra Leonardo Oliva, que preside a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, avaliou a proposta de forma positiva. Ele destacou que a sinalização visual, como o cordão roxo, pode ser fundamental para a proteção de pessoas com demência, especialmente em ambientes públicos. Oliva classificou a identificação como uma “necessidade real” e considerou a cor roxa “adequada” para essa finalidade.
Pontos de atenção e a coexistência com o cordão de girassóis
Apesar de reconhecer os benefícios da proposta, Leonardo Oliva também levantou pontos que merecem atenção e discussão. Um dos questionamentos centrais é a existência de uma identificação já em uso no Brasil: o cordão com girassóis. Este símbolo é destinado a pessoas com deficiências não visíveis e já abrange indivíduos com demência. Segundo o especialista, a introdução de um novo cordão, o roxo, pode acabar por “trazer uma maior complexidade de entendimento” em vez de simplificar a identificação e o apoio a essa população específica.
Treinamento: um complemento essencial para a identificação
Oliva enfatizou que a eficácia do cordão roxo, ou de qualquer outra forma de identificação visual, depende de um complemento crucial: o treinamento das pessoas que interagem com o público. “A gente precisa ter uma sinalização, mas a gente precisa também ter um treinamento das pessoas que vão lidar com esses indivíduos”, ressaltou o geriatra.
Ele citou locais como aeroportos, rodoviárias, agências bancárias e unidades de saúde como ambientes onde esse preparo é indispensável. O objetivo do treinamento seria garantir que funcionários e o público em geral compreendam o significado do cordão roxo e saibam como agir de maneira adequada e empática ao se depararem com uma pessoa que o utilize.
Fonte: CNN BRASIL










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