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Buzz Aposta em Modelo de ‘Indústria do Conhecimento’ para Autores

A editora Buzz está propondo um modelo inovador para autores, visando transformá-los em verdadeiras “indústrias do conhecimento”. A ideia central é que a venda de livros seja apenas uma das fontes de renda do autor, explorando um ecossistema mais amplo que inclui palestras, cursos, mentorias, publicidade, colunismo e presença nas redes sociais.

O fundador da Buzz, Anderson Cavalcante, apresentou essa visão no Buzz Day, um evento para potenciais autores interessados em publicar pela editora. Para participar do evento, é cobrada uma taxa de R$ 697. A Buzz, que completa dez anos, se diferencia no mercado por priorizar obras de negócios, autoajuda e desenvolvimento pessoal.

Cavalcante, que também é autor best-seller de autoajuda, com o livro “O que Realmente Importa?”, enfatiza a importância de um conteúdo autêntico, original e convincente. A proposta é pegar esse conteúdo e distribuí-lo em diversas plataformas, criando um fluxo de receita diversificado para o autor.

Embora o livro seja um componente essencial, Cavalcante destaca que ele é apenas uma parte da estratégia. Ele se descreve como um editor participativo, que se envolve ativamente com os autores, buscando garantir que seus textos sejam “profundos e gostosos de ler”. A ideia é que o livro sirva como um ponto de partida para o autor expandir sua atuação em outras áreas.

Cavalcante cita exemplos de autores que alcançaram sucesso seguindo esse modelo, como o Padre Fábio de Melo e Gustavo Cerbasi, consultor financeiro conhecido pelo livro “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”. Ele também menciona o médico Içami Tiba, com quem trabalhou em sua primeira editora, a Gente.

O caso de Cerbasi é emblemático. Ao longo de 20 anos, “Casais Inteligentes” vendeu mais de 1 milhão de exemplares, um número significativo no mercado brasileiro. No entanto, o lucro que Cerbasi obteve com o livro foi inferior ao que ganhou com as 178 palestras que realizou apenas no primeiro ano após o lançamento.

A Buzz Palestras, que agencia os autores, atualmente cobra no mínimo R$ 75 mil por uma palestra de Rick Chesther, autor que ficou famoso vendendo água nas praias de Copacabana. A editora também busca oportunidades de merchandising, entrando em contato com empresas que aparecem nas páginas dos livros para fechar contratos.

A Buzz tem apresentado um crescimento de dois dígitos por ano desde 2023, com um aumento de 17% no faturamento no ano passado. Apesar do crescimento, Cavalcante afirma que o objetivo não é ser a maior editora do país, mas sim a melhor.

Outras editoras também estão buscando novas formas de abordar o mercado literário. A Planeta lançará em abril um novo formato de livros de bolso com capa dura e chaveiro, transformando o livro em um acessório de moda. A linha começará com um volume da psicanalista Ana Suy e clássicos de Kafka e Machado de Assis.

A Ercolano publicará em maio o livro “Aquela que Restou”, da búlgara Rene Karabash, semifinalista do Booker Internacional. A obra narra a história de uma mulher que decide escapar de um casamento arranjado assumindo um papel masculino em sua comunidade.

A comediante Aquela Miranda, conhecida por seu “humor para mal-humorados”, lançará em maio seu livro “Bug nos Millennials” pela editora Record, satirizando a transição de sua geração da infância analógica para a vida adulta nas redes sociais.