O advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, passou por uma sabatina no Senado Federal nesta quarta-feira (29) para ocupar uma vaga como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A análise da política Larissa Rodrigues, em participação no CNN 360º, destacou que o posicionamento de Messias ao longo da sessão foi marcado pela cautela e pela clara tentativa de evitar declarações que pudessem gerar polêmicas.
Estratégia para aprovação no Congresso
Larissa Rodrigues avaliou a sabatina como uma das mais importantes do atual governo, lembrando que indicações anteriores, como as de Zanin e Flávio Dino, enfrentaram dificuldades de articulação e placares apertados no Senado. Segundo a analista, a demora de Lula em oficializar a indicação de Messias se deu pelos problemas que o governo vem enfrentando com o Congresso Nacional, o que influenciou diretamente a preparação e a postura do indicado.
“Toda a preparação que ocorreu nesses dias foi pautada em cima dessas dificuldades”, ressaltou Rodrigues. A analista observou que Messias tentou “não agradar demais nenhum lado, não escorregar em nenhuma casca de banana e não trazer nenhum posicionamento considerado muito polêmico, porque neste momento todo voto importa”. Há um otimismo crescente dentro do Palácio do Planalto em relação à aprovação do indicado.
Evitando menções e adjetivos
Um ponto observado por Larissa Rodrigues foi a estratégia de Messias em evitar citar nomes de ministros do STF, de parlamentares ou de outras instituições durante suas respostas. Mesmo ao ser questionado sobre temas sensíveis como a situação da Venezuela, Messias não atribuiu nenhum adjetivo a Nicolás Maduro, optando por uma linguagem estritamente formal e sem margem para dupla interpretação.
Posicionamento sobre ativismo judicial
Ao abordar o tema do ativismo judicial, que gera críticas entre parlamentares, Messias adotou uma posição considerada equilibrada pela analista. Ele declarou ser contrário a esse ativismo, citando que a própria expressão “carrega um elemento extremamente perigoso que, na opinião do AGU, é a violação do princípio da separação entre os poderes”.
Contudo, após essa crítica inicial, Messias fez um recuo estratégico, ressaltando que “o poder é soberano, exercido pelo povo, e que todos devem permitir que a democracia continue”, reafirmando o papel do STF como “guardião da Constituição”.
“São falas muito ensaiadas, fala sem agradar nem desagradar ninguém, e tudo, no fim das contas, numa tentativa de não perder votos já conquistados e, quem sabe, conquistar um último de última hora”, concluiu Larissa Rodrigues sobre a performance de Jorge Messias na sabatina.
Fonte: CNN BRASIL










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