Ferrari Luce: Elétrico de R$ 3,5 milhões divide opiniões e derruba ações da marca

A Ferrari apresentou oficialmente seu primeiro carro 100% elétrico, o modelo Luce, marcando uma mudança histórica para a montadora italiana. O lançamento, no entanto, provocou turbulência tanto no mercado financeiro quanto nas redes sociais, com as ações da empresa sofrendo quedas significativas após o anúncio.

Reação do Mercado e Críticas

Após a revelação do Luce, avaliado em aproximadamente R$ 3,5 milhões (US$ 640 mil), as ações da Ferrari despencaram mais de 8% na Bolsa de Milão e mais de 5% em Nova York. O modelo, que representa um afastamento da tradição da marca focada em motores a combustão de alto desempenho, gerou uma onda de críticas e elogios nas redes sociais, dividindo opiniões sobre a nova direção da fabricante.

Inovação e Parceria

O Luce, cujo nome significa “luz” em italiano, levou cerca de cinco anos para ser desenvolvido e é o primeiro Ferrari a acomodar cinco passageiros. O projeto contou com a colaboração da agência LoveFrom, fundada por Sir Jony Ive, ex-chefe de design da Apple. Flavio Manzoni, diretor de design da Ferrari, reconheceu o caráter polarizador do conceito, mas expressou confiança de que o modelo será apreciado com o tempo.

Tecnologia e Design do Luce

O novo elétrico da Ferrari é equipado com quatro motores elétricos independentes, um em cada roda, desenvolvidos internamente em Maranello. Essa configuração permite uma aceleração de 0 a 96 km/h em cerca de 2,5 segundos. A Ferrari enfatiza que todos os componentes, incluindo motores, softwares e sistemas elétricos, foram criados pela própria empresa, visando garantir a manutenção futura e preservar o valor de revenda.

O interior do Luce também se destaca por um design minimalista, com uma tela curva integrada ao painel e um espaço ampliado para os ocupantes, rompendo com o padrão tradicional da marca. A apresentação do veículo incluiu um evento em Roma, onde o modelo foi mostrado ao Papa Leão.

Contexto da Indústria e Movimentos de Rivais

A chegada do Luce ocorre em um momento de desafios para a indústria automotiva global, com desaceleração na demanda por veículos elétricos de luxo e a ascensão de fabricantes chinesas. Nesse cenário, rivais históricos da Ferrari têm adotado estratégias distintas. A Lamborghini optou por priorizar modelos híbridos, abandonando planos de lançamentos totalmente elétricos. Já a Porsche reduziu suas metas para EVs, enfrentando queda nas vendas na China e pressão tarifária nos EUA.

A Jaguar também enfrentou forte reação negativa após mudanças drásticas em seu design para modelos elétricos. Apesar de ser uma das montadoras mais valiosas da Europa, a Ferrari não escapou da desaceleração do mercado de luxo, com suas ações acumulando uma queda de mais de 30% no último ano, impactada pela inflação global e pela retração no consumo de alto padrão. A empresa, contudo, afirmou que continuará a produzir carros a gasolina e híbridos nos próximos anos, buscando um equilíbrio entre tradição e inovação.

Fonte: Um Só Planeta

Wendell Oliveira é editor da Globosfera e escreve sobre tecnologia, ciência, saúde, tendências digitais e atualidades, com foco em conteúdo informativo, claro e acessível.