Tipos de Câncer de Mama: Especialistas Explicam as Diferenças e Abordagens Terapêuticas

O câncer de mama não deve ser encarado como uma única enfermidade, mas sim como um espectro de doenças distintas, cada uma demandando abordagens terapêuticas específicas. Essa é a principal mensagem transmitida por especialistas em saúde durante o programa CNN Sinais Vitais.

No episódio em questão, o Dr. Roberto Kalil recebeu a participação dos médicos especialistas Antonio Buzaid, oncologista atuante no Hospital Nove de Julho e Samaritano, e Fabricio Brenelli, mastologista do Hospital Beneficência Portuguesa, para discutir a complexidade da doença.

Diversidade de Tipos de Câncer de Mama

O mastologista Fabricio Brenelli ressaltou a existência de diversos tipos de câncer de mama, cada um apresentando características e comportamentos únicos. “Na verdade, a gente fala que eles acontecem por coincidência na mama, mas são doenças completamente diferentes”, explicou o médico, enfatizando a singularidade de cada diagnóstico.

Brenelli detalhou que alguns tipos de câncer de mama permitem que o tratamento se inicie com a cirurgia, seguida por terapias complementares consideradas mais simples, como a hormonoterapia. Em contrapartida, outros tipos, classificados como mais agressivos, requerem uma abordagem inicial com tratamentos sistêmicos, que visam combater as células cancerígenas em todo o corpo.

Características e Diferenciação dos Tumores

O mastologista explicou que a maioria dos tipos de câncer de mama são tumores com receptores hormonais. Estes tendem a ser mais semelhantes às células mamárias normais em sua estrutura e comportamento. Em contraste, os tumores mais agressivos são aqueles que apresentam um grau maior de diferenciação em relação às células mamárias originais, conforme apontado por Brenelli.

“É importante nunca comparar uma paciente com outra. São cenários diferentes, doenças diferentes, pessoas diferentes e tratamentos diferentes”, alertou o especialista, reforçando a necessidade de individualização do cuidado.

Fatores de Risco Hormonais e Terapêuticos

Antonio Buzaid, oncologista presente na discussão, complementou o debate ao abordar os fatores de risco relacionados aos hormônios. Ele mencionou que a reposição hormonal utilizando apenas estradiol não demonstrou aumento de risco e, em alguns estudos, até indicou uma redução. Contudo, Buzaid fez uma ressalva importante: “O problema é que estradiol só pode ser dado em quem não tem útero. Ele aumenta muito o risco de câncer no útero.”

Quanto ao uso de contraceptivos orais, Buzaid esclareceu que existe um aumento de risco, porém de menor magnitude, estimado em cerca de 20%. Para contextualizar, o oncologista utilizou uma analogia: “É 20% de um número pequeno. Eu brinco com os pacientes: imagine que você ganha R$1 por mês, eu aumento em 20% o seu salário, você ganha R$1,20. Continua sendo absurdamente baixo”, exemplificou, buscando ilustrar a proporção do risco associado.

Fontes: CNN Brasil

Wendell Oliveira é editor da Globosfera e escreve sobre tecnologia, ciência, saúde, tendências digitais e atualidades, com foco em conteúdo informativo, claro e acessível.