Justiça concede habeas corpus a MC Ryan SP; funkeiro deve ser solto

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceitou o pedido de habeas corpus em favor de Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP. O artista estava preso preventivamente desde 15 de março, como parte da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar cifras bilionárias em lavagem de dinheiro.

A decisão liminar do STJ reconheceu a ilegalidade da prisão temporária, determinando as providências necessárias para o imediato restabelecimento da liberdade de MC Ryan SP, além de outros investigados na operação, como Diogo 305. A informação foi confirmada pela defesa do artista.

Investigação aponta MC Ryan SP como líder de esquema bilionário

Segundo a Polícia Federal, MC Ryan SP seria o líder de uma organização criminosa que teria movimentado cerca de R$ 260 bilhões. A investigação aponta que o funkeiro utilizava empresas de produção musical e entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais. O esquema também envolveria mecanismos de blindagem patrimonial, com transferências de participações societárias para familiares e “laranjas”, a fim de distanciar o capital da pessoa física do cantor.

Os valores, após processados, eram convertidos em imóveis de luxo, veículos de alto padrão e joias. O principal operador do grupo é apontado como Rodrigo Morgado, preso na “Operação Narco Bet”. Outra figura citada é Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, que seria o operador de mídia da organização, responsável por divulgar conteúdos de artistas e promover plataformas de apostas e rifas.

“Escudo de conformidade” e possível ligação com PCC

A investigação identificou que o esquema operava sob um “escudo de conformidade”, utilizando a projeção artística e o alto engajamento dos envolvidos para naturalizar as movimentações financeiras. Esse fator serviria para mascarar recursos vindos do tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais como receitas legítimas do setor artístico. A base de seguidores do artista era usada para dar aparência de legalidade ao patrimônio.

As apurações também indicam uma possível conexão do esquema com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O elo seria Frank Magrini, apontado como operador financeiro da organização. Há indícios de que Magrini teria financiado o início da carreira de MC Ryan SP em 2014, com pagamentos sistemáticos por locais comerciais do grupo.

Mecanismos e abrangência da Operação Narco Fluxo

Três eixos principais foram identificados para ocultar a origem do dinheiro: pulverização (comercialização de ingressos e ativos digitais sem lastro comprovado), dissimulação (uso de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie e múltiplas transações) e interposição de terceiros (utilização de operadores, familiares e “aluguel de CPFs”).

A “Operação Narco Fluxo” visa desarticular a organização criminosa voltada à movimentação ilícita de valores, inclusive por criptoativos, no Brasil e no exterior. O volume financeiro total movimentado pelo grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão. Foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em diversos estados. Medidas de bloqueio patrimonial, sequestro de bens e restrições societárias foram determinadas, com apreensões de veículos de luxo avaliados em cerca de R$ 20 milhões.

Na época da prisão, a defesa de MC Ryan SP informou que não teve acesso ao procedimento sigiloso e, por isso, estava impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos, mas ressaltou a integridade do artista e a lisura de suas transações financeiras.

Wendell Oliveira é editor da Globosfera e escreve sobre tecnologia, ciência, saúde, tendências digitais e atualidades, com foco em conteúdo informativo, claro e acessível.