Um fóssil raro, datado de 550 milhões de anos, está ajudando cientistas a preencher uma lacuna de 160 milhões de anos no registro fóssil das esponjas marinhas, revelando que as primeiras esponjas da Terra podem ter sido criaturas de corpo mole que raramente fossilizavam. A descoberta, publicada na revista Nature, desafia as expectativas sobre a aparência e a preservação dos primeiros animais.
A lacuna de 160 milhões de anos
As esponjas marinhas, apesar de sua aparente simplicidade (sem cérebro ou intestino), intrigam os cientistas há muito tempo. Estimativas de relógios moleculares sugerem que elas surgiram há cerca de 700 milhões de anos, mas o registro fóssil claro só retrocede até aproximadamente 540 milhões de anos, criando uma lacuna considerável de 160 milhões de anos. O novo fóssil preenche parte desse intervalo, oferecendo uma explicação para a escassez de fósseis mais antigos.
Esponjas sem esqueleto mineralizado
Shuhai Xiao, geobiólogo da Virginia Tech, e sua equipe propõem que as primeiras esponjas podem não ter possuído esqueletos minerais duros, tornando sua fossilização muito menos provável. Essa hipótese resolve um paradoxo na ciência evolutiva, explicando por que rochas da era em que as esponjas deveriam ter surgido não produziram fósseis convincentes.
Descoberta ao longo do rio Yangtze
Xiao encontrou o fóssil há cerca de cinco anos, quando um colaborador lhe enviou uma foto de um espécime descoberto ao longo do rio Yangtze, na China. A equipe, que incluiu pesquisadores da Universidade de Cambridge e do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing, descartou outras possibilidades, como ascídias, anêmonas marinhas ou corais, restando a intrigante possibilidade de uma esponja marinha ancestral.
O fóssil se destaca por seu padrão de superfície detalhado, coberto por uma grade de formas regulares semelhantes a caixas, cada uma subdividida em unidades menores repetidas. Seu tamanho também surpreendeu os pesquisadores, medindo cerca de 15 polegadas de comprimento e apresentando um plano corporal cônico relativamente complexo.
A descoberta não apenas preenche uma parte do registro fóssil perdido, mas também muda a forma como os cientistas procuram as primeiras formas de vida animal. Se as primeiras esponjas eram de corpo mole e não possuíam esqueletos minerais, muitas podem ter desaparecido sem deixar vestígios, exigindo que os pesquisadores se concentrem em condições raras onde organismos delicados poderiam ser preservados.
O estudo aponta para a necessidade de ampliar a busca por vestígios de vida primitiva, considerando que os primeiros animais podem ter tido características muito diferentes das que se imaginava, com corpos frágeis e alta suscetibilidade à decomposição, o que dificulta sua preservação no registro fóssil.










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