Unicamp: Laboratório apto a manipular vírus de alto risco é alvo de investigação

## Laboratório da Unicamp e a Manipulação de Vírus de Alto Risco

O Brasil possui um seleto grupo de 12 laboratórios com certificação de nível de biossegurança 3 (NB3), capacitados para a manipulação segura de agentes biológicos de alto risco. Entre eles, destaca-se o Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da Unicamp, que recentemente foi alvo de uma investigação policial.

## Suspeita de Furto e a Investigação

A investigação gira em torno da pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller, vinculada à Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), suspeita de subtrair material biológico do laboratório. Embora a natureza específica do material não tenha sido divulgada pelas autoridades, a Polícia Federal chegou a deter a pesquisadora, que posteriormente foi liberada. A defesa de Miller nega o furto, alegando que ela utilizava a infraestrutura do Instituto de Biologia por não possuir laboratório próprio.

## Níveis de Biossegurança e a Busca por Contenção Máxima

O Laboratório de Virologia da Unicamp opera sob os níveis 2 e 3 de biossegurança, em uma escala que alcança o nível 4, o mais elevado grau de contenção biológica. Atualmente, o Brasil não possui laboratórios com certificação NB4, mas o projeto Orion, em construção no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, almeja ser o primeiro da América Latina a alcançar essa certificação. Essa classificação garante que os laboratórios estão equipados e preparados para lidar com agentes biológicos de diferentes classes de risco, seguindo rigorosos protocolos de segurança.

## Protocolos de Segurança e Agentes de Alto Risco

De acordo com o Ministério da Saúde, as 12 instituições habilitadas no país com capacidade para realizar diagnósticos laboratoriais em condições de NB3 trabalham com agentes considerados de alto risco individual e risco moderado para a comunidade. Esses agentes podem causar doenças graves ou letais, geralmente transmitidas pelo ar, com potencial de disseminação, mesmo que existam medidas de prevenção e tratamento disponíveis. Os laboratórios NB3 exigem práticas e equipamentos de contenção eficazes, como cabines de segurança biológica, acesso restrito e sistemas de barreira para a entrada de materiais e amostras biológicas.

## Recuperação das Amostras e o Foco da Pesquisa

A Polícia Federal recuperou as amostras de vírus pertencentes ao Instituto de Biologia, que estavam desaparecidas desde fevereiro. Segundo a universidade, o laboratório atua principalmente no estudo de pneumovírus aviário, vírus da bronquite infecciosa aviária, doença infecciosa da bursa, vírus respiratório sincicial bovino e herpesvírus equino e bovino. As amostras recuperadas foram encontradas em laboratórios utilizados pela professora e encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também prestou apoio à apuração.

Em resumo, o caso envolvendo o laboratório da Unicamp destaca a importância da segurança e do controle rigoroso no manuseio de agentes biológicos de alto risco, bem como a necessidade de infraestrutura adequada para pesquisa e diagnóstico de doenças infecciosas.

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