O governo de Donald Trump tem explorado Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã, como um possível parceiro para negociações destinadas a encerrar o conflito com o país persa. A iniciativa, revelada pelo site americano Politico, surge em um cenário de escalada de tensões e ataques, conforme noticiado pela Folha SP nesta segunda-feira, 23 de março de 2026.
Segundo o Politico, que obteve informações de autoridades da gestão republicana que não tiveram seus nomes divulgados, Ghalibaf, de 64 anos, é visto como um potencial interlocutor. Contudo, o próprio Mohammad Ghalibaf negou veementemente qualquer tipo de contato ou negociação com os Estados Unidos, classificando os relatos como “fake news usadas para manipular os mercados financeiro e do petróleo”.
Em meio a essa busca por canais de diálogo, o presidente Trump anunciou nesta segunda-feira (23) o adiamento de ataques prometidos à infraestrutura energética iraniana por um período de cinco dias. A suspensão está condicionada à aceitação por parte do Irã de demandas americanas, principalmente o fim do bloqueio no estratégico Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do comércio global de petróleo.
A chancelaria de Teerã, por sua vez, negou ter negociado diretamente com autoridades iranianas. No entanto, confirmou ter ouvido propostas de terceiros. A postura iraniana é clara: recusa negociações que não sejam diretas e exige o fim dos ataques, bem como a manutenção de sua soberania, como pré-condições indispensáveis para qualquer diálogo.
A delicadeza da situação foi reforçada pela secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. Ela afirmou que “essas são discussões diplomáticas sensíveis e os EUA não vão negociar através da imprensa”, indicando a natureza estratégica e sigilosa dos movimentos diplomáticos em curso.
O contexto de busca por um interlocutor se dá em um momento em que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, assumiu o cargo após a morte de seu pai, Ali, no início da guerra. No entanto, Mojtaba Khamenei ainda não apareceu em público ou na televisão, e Trump negou qualquer contato com ele, declarando que não o considera um líder legítimo para negociações.
Apesar dos esforços para encontrar um ponto de contato, a estratégia da Casa Branca para o conflito ainda é cercada de incertezas. A recusa de Ghalibaf em reconhecer as negociações e a posição da chancelaria iraniana em só aceitar conversas diretas com pré-condições, adicionam complexidade ao cenário.
Mohammad Ghalibaf é apontado como uma das principais lideranças cogitadas por Washington para o papel de interlocutor, mas não a única, o que sugere que a administração americana avalia múltiplas frentes. Enquanto os ataques à infraestrutura iraniana persistem, a administração Trump parece tentar, nos bastidores, pavimentar um caminho para a paz, mesmo que permeado por desconfiança e negações públicas.
Os próximos dias serão decisivos para observar se a suspensão temporária dos ataques e a sondagem de figuras como Ghalibaf poderão abrir alguma brecha para a diplomacia efetiva ou se as tensões continuarão a escalar na região.
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