Oscar Schmidt, o lendário jogador de basquete que faleceu nesta sexta-feira (18) aos 68 anos, em Santana de Parnaíba-SP, teve uma história marcante com a Volkswagen Brasília no início de sua carreira. O atleta, que se tornaria um dos maiores nomes do basquete mundial, ganhou seu primeiro carro, uma Brasília, aos 18 anos, quando atuava pelo Palmeiras.
O presente de João Marino
Em entrevista à revista Veja São Paulo em 2011, Oscar relembrou que chegou a São Paulo em 1974 para jogar no Palmeiras e morava com outros oito atletas em uma república na Pompéia. Após completar 18 anos, ele queria tirar a carteira de motorista, mas não tinha recursos para comprar um carro. A solução veio do patrocinador do time, o Dr. João Marino.
“Era meio queridinho do patrocinador do time, o doutor João Marino. Eu atuava bem, era dedicado e ele sempre me apoiou e investiu na minha carreira. Alguns meses depois do aniversário, para minha surpresa, meu técnico na época, o Cláudio Mortari, me levou a uma concessionária para escolher uma ‘caranga’. Isso representou um prêmio do Marino pelo meu desempenho em quadra”, contou Oscar.
A Brasília vinho e os passeios
Oscar escolheu uma Brasília zero quilômetro na cor vinho e passou a dar carona para os colegas do time. “Depois desse dia, virou uma festa. Eu era o único motorizado da turma”. O carro também foi importante para o relacionamento de Oscar com sua namorada, Cristina. “Mas quem aproveitou foi a minha mulher, Cristina. A gente namorava havia um ano e achávamos o máximo passear no veículo. Quase todo fim de semana íamos à Praça do Pôr do Sol, no Alto de Pinheiros. Quando o tempo estava bom, o destino era o Guarujá”, disse o ex-jogador.
Percalços e a segunda Brasília
No início da carreira, Oscar enfrentou dificuldades financeiras. “Naquela época, ganhava pouco, só o suficiente para me manter. Apesar do sufoco, dava para investir em algum equipamento para o automóvel. Eu tinha um [rádio] toca-fitas comprado na Galeria Pagé, no centro [de São Paulo] e rodas ‘gaúchas’, que eram moda na época”. Ele também lembrou que, às vezes, não tinha dinheiro para gasolina.
A Brasília vinho foi substituída dois anos depois por outra na cor bege, após um acidente. “Me envolvi num acidente de trânsito por bobagem, coisa de iniciante. Em vez de brecar, acelerei e acertei outro motorista em um cruzamento perto da Avenida Pompéia. Imagine a tristeza. Mandei consertar a lataria e acabei vendendo para uma concessionária. A essa altura, já ganhava um pouco melhor e pude comprar o segundo carro. Gostava tanto da primeira, que optei por outra Brasília”, explicou o “Mão Santa”.
A morte de Oscar Schmidt
A lenda do basquete brasileiro, Oscar Schmidt, faleceu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos. A informação foi confirmada por sua assessoria. Oscar chegou a ser levado ao Hospital Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba (SP), após ter um mal-estar, mas não resistiu. Segundo informações da prefeitura, ele já chegou ao hospital sem vida, após sofrer uma parada cardiorrespiratória em sua residência.
No começo de abril, o filho de Oscar, Felipe Schmidt, recebeu uma homenagem no lugar do pai no Comitê Olímpico Brasileiro (COB), indicando que o ex-jogador já enfrentava problemas de saúde.


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