Cientistas anunciaram a descoberta de uma nova espécie de planta na Caatinga, batizada de Machaerium guidone. A nomeação é uma homenagem à renomada arqueóloga brasileira Niède Guidon, pioneira na preservação histórica e responsável pela criação do Parque Nacional da Serra da Capivara. A descoberta foi detalhada em um artigo publicado no início deste mês na revista científica Kew Bulletin.
Uma espécie única na flora brasileira
Apesar de a planta já ter sido observada e até coletada em expedições anteriores, suas características distintivas só foram reconhecidas recentemente. A Machaerium guidone pertence à família das leguminosas e pode ser encontrada nos estados brasileiros onde a Caatinga predomina, como Piauí, Bahia, Ceará, Maranhão e Minas Gerais. Sua morfologia é marcada por um estilo trepadeira lenhosa, que se apoia em outras árvores como um cipó, mas se diferencia por não possuir espinhos em seus ramos. As folhas da espécie são descritas como firmes, levemente arredondadas e com um formato que lembra um coração.
Valner Matheus Milanezi Jordão, doutorando da Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT) do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), destacou a beleza da nova espécie. “Um dos aspectos que me chamou a atenção logo no início foi a beleza dessa espécie”, comentou Jordão, um dos pesquisadores envolvidos na identificação.
Homenagem à “Dama da Arqueologia”
A escolha do nome Machaerium guidone é um tributo a Niède Guidon, uma das mais importantes figuras da arqueologia brasileira. A ligação geográfica foi um fator determinante, pois o material-tipo da planta, essencial para sua classificação científica internacional, foi coletado na região da Serra da Capivara, área extensivamente preservada e estudada por Guidon. Jordão ressaltou que a homenagem vai além da conexão territorial, buscando reafirmar a importância política e o legado da arqueóloga.
A descoberta, iniciada em 2022, ganhou um caráter póstumo. A publicação oficial da nova espécie ocorreu em 2026, após o falecimento de Niède Guidon. Dessa forma, a Machaerium guidone eterniza a memória da arqueóloga na rica flora da Caatinga, um reconhecimento póstumo e significativo de sua contribuição para a ciência e a preservação ambiental e histórica do Brasil.
Fontes: Kew Bulletin; Revista Casa e Jardim.


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