A prisão preventiva do cardiologista Daniel Pereira Kollet, no Rio Grande do Sul, sob suspeita de crimes sexuais contra pacientes, gerou grande repercussão. O escritório de advocacia que representa o médico nega veementemente as acusações, alegando que Kollet possui uma conduta ilibada e uma carreira pautada pela ética e responsabilidade. Segundo o advogado Ademir Campana, o médico é renomado e muito querido pela população de Taquara e região, onde atua.
A defesa argumenta que o comportamento de Kollet, descrito como “carinhoso”, é mal interpretado. “É carinhoso, abraça senhoras de 90 anos, homens, é o jeito dele”, afirmou Campana, buscando justificar as atitudes do médico que estão sob investigação.
No entanto, as alegações da defesa contrastam com o avanço das investigações da Polícia Civil, que já ouviu o depoimento de cerca de 30 possíveis vítimas. As denúncias envolvem pacientes e funcionárias que trabalharam com o cardiologista. Os crimes apurados incluem importunação sexual, violação sexual mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável. De acordo com a investigação, Kollet pedia segredo às pacientes após as consultas.
O caso ganhou ainda mais destaque com a divulgação de uma denúncia anônima, na qual uma paciente relata um episódio ocorrido durante um exame de ecocardiografia transtorácica em um hospital de Porto Alegre. A vítima afirma que não reagiu no momento devido ao medo e à vulnerabilidade. Essa denúncia levou a polícia a ampliar a investigação, suspeitando que o médico também possa ter agido em outros hospitais da capital gaúcha.
Em nota, o escritório de advocacia de Kollet informou que ainda não teve acesso integral ao inquérito, mas que o médico nega todas as acusações. A defesa ressalta os quase 30 anos de carreira do cardiologista, sua conduta profissional ética e seu compromisso com a saúde dos pacientes. Promete ainda emitir uma nota oficial assim que tiver acesso aos autos para esclarecer os fatos.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) também se manifestou sobre o caso, informando que já tomou medidas administrativas para investigar as denúncias. O Cremers classificou a situação como grave e afirmou que, se comprovadas as acusações, todas as medidas necessárias serão tomadas para punir os responsáveis.
Enquanto a investigação prossegue, Daniel Pereira Kollet permanece preso no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), em Porto Alegre. A Polícia Civil disponibilizou um número de telefone para denúncias anônimas: (51) 98443-3481.
A complexidade do caso reside na contraposição entre a defesa, que alega um comportamento “carinhoso” do médico, e as acusações de abuso sexual, que envolvem diversas vítimas e diferentes tipos de crimes. A investigação da Polícia Civil e a apuração do Cremers serão cruciais para determinar a veracidade das denúncias e responsabilizar o médico, caso seja comprovada sua culpa.
Este caso serve de alerta para a importância de denunciar qualquer forma de abuso e para a necessidade de uma investigação rigorosa e imparcial em casos de crimes sexuais, especialmente quando envolvem profissionais de saúde e pacientes em situação de vulnerabilidade.


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