O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou seu discurso contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) após o anúncio de que os Estados Unidos classificarão facções criminosas brasileiras como grupos terroristas. Lula associou diretamente a decisão americana à atuação do opositor e passou a utilizar o fato para criticar os bolsonaristas.
Posicionamento oficial e críticas ao senador
A postura mais combativa foi adotada como posição oficial do Palácio do Planalto. Cerca de 18 horas após o anúncio dos EUA, o governo divulgou uma nota oficial classificando a atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos como “deplorável”. No entanto, ministérios chave como o da Justiça e Segurança Pública e o próprio Itamaraty, responsável pela diplomacia brasileira, ainda não apresentaram um posicionamento oficial sobre a decisão americana e estão calibrando a forma de agir em relação à classificação das facções criminosas brasileiras.
Em paralelo à divulgação da nota do Planalto, durante agenda oficial em Sergipe, o presidente Lula adotou um tom mais duro do que nas semanas anteriores contra Flávio Bolsonaro, referindo-se ao senador como “traidor”. “Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir para os Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, declarou o chefe do Executivo. Lula acrescentou: “Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles ficavam presos lá”. A fala fez referência a Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio, que é acusado de ter repassado mais de R$ 200 mil a Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado como integrante de uma milícia no Rio de Janeiro.
Defesa da soberania nacional e PEC da Segurança Pública
O presidente Lula aproveitou a ocasião para defender a soberania nacional e reforçar o pedido pela aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública, articulada pelo seu governo. O texto, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, encontra-se parado no Senado desde março deste ano. “Não brinquem com a soberania desse país, não brinquem com a nossa democracia, não duvidem das coisas que nós fazemos nesse país. Se quiser combater o crime organizado, aprove a PEC da Segurança Pública que está no Senado”, enfatizou.
O comunicado do Planalto também reiterou a soberania nacional ao abordar a decisão do governo norte-americano de considerar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. “O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”, apontou o governo. A nota também destacou a importância das relações diplomáticas para o combate conjunto ao crime organizado, ressaltando que “o crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos”.
Oposição reage e acusa Lula de defender facções
Por outro lado, a oposição comemorou a medida dos Estados Unidos, com integrantes do grupo fazendo associações entre o presidente Lula e o crime organizado. Durante agenda em Curitiba (PR) na noite de sexta-feira (29), Flávio Bolsonaro também adotou um tom provocador contra o petista. Em seu discurso, o senador criticou Lula, afirmando que o presidente foi “lamber a bota” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no encontro que tiveram no início do mês, para fazer lobby para o PCC e o CV. “Nós já fizemos mais que o Lula e o PT nos últimos 20 anos. A criminalidade tomou conta do Brasil. Enquanto ele foi lamber a bota do Trump para fazer lobby para o PCC e o CV, nós fomos lá para pedirmos para que fossem tratados como terroristas e o que eles são”, declarou.
O pré-candidato do PL insinuou ainda que o adversário nas eleições deste ano “ou faz parte de organizações narcoterroristas ou está sendo ameaçado por elas”. “O Lula está defendendo a soberania do CV e do PCC. E a gente não vai admitir isso”, concluiu.
Fonte: CNN BRASIL


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