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Forte bizantino raro descoberto na Espanha revela detalhes de transição cultural

Arqueólogos identificaram um forte bizantino singular na Espanha, situado no sítio arqueológico de El Monastil, próximo a Elda, em Alicante. A descoberta sugere que o local foi um assentamento monástico fortificado, estabelecido por soldados e clérigos do Império Romano do Oriente na segunda metade do século VI. A análise de artefatos e décadas de escavações revelam uma história complexa de transição, do domínio bizantino ao visigótico, culminando em um enclave religioso islâmico.

Localização Estratégica e Significado Histórico

Conhecido como Elo ou Elum em fontes latinas antigas, o sítio está estrategicamente posicionado a 28,5 km de Ilici (atual Elche) e a 120 km de Cartago Espartária (Cartagena), que serviu como capital bizantina na Hispânia. Sua localização ao longo de um ramal da Via Augusta, uma importante estrada romana, permitia o controle do tráfego pelo corredor de Vinalopó, um ponto crucial para a administração e defesa do território.

  • Proximidade de centros urbanos: A localização facilitava a comunicação e o controle sobre cidades importantes da região.
  • Controle de rotas comerciais: A posição estratégica ao longo da Via Augusta permitia monitorar e regular o fluxo de mercadorias e pessoas.

Evidências Materiais da Presença Bizantina

As escavações revelaram artefatos que confirmam a presença bizantina no local. Entre os achados, destacam-se duas placas de ferro de uma armadura lamelar usada por cavaleiros bizantinos, semelhantes às encontradas em Cartago Espartária. A descoberta de sete pesos de bronze, utilizados para a arrecadação de impostos pela Igreja, conforme as leis do imperador Justiniano, também reforça a interpretação do sítio como um centro administrativo e religioso bizantino.

  • Armadura lamelar: Evidencia a presença de militares bizantinos no local.
  • Pesos de bronze: Indicam a função administrativa e fiscal do assentamento, sob responsabilidade da Igreja.

Artefatos Religiosos e Sincretismo Cultural

Artefatos religiosos notáveis incluem uma mesa de altar esculpida em mármore branco da ilha grega de Paros e um recipiente cilíndrico de marfim para hóstias. Este último apresenta uma cena de Hércules capturando a Corça de Cerineia, interpretada como um exemplo de sincretismo religioso promovido durante o governo de Justiniano, associando a figura de Hércules à de Cristo. Outros itens litúrgicos encontrados incluem uma faca de ferro para cortar hóstias, uma colher de estanho, uma chave de bronze de tabernáculo, um selo cerâmico com a abreviação de Beata Virgo Maria e um grande vaso decorado com seis cruzes gravadas.

  • Mesa de altar de mármore: Demonstra a importância religiosa do local e o uso de materiais nobres.
  • Recipiente de marfim com cena de Hércules: Ilustra o sincretismo religioso da época, fundindo elementos pagãos e cristãos.

Transformação Através dos Séculos

A igreja do complexo, com cerca de 84,5 m², apresenta uma abside em forma de ferradura, uma pia batismal escavada na rocha e paredes revestidas com gesso pintado. Por volta de 600 d.C., os visigodos assumiram o controle da região, estabelecendo ali uma sede episcopal. Posteriormente, o local foi transformado por colonos árabes em um enclave religioso islâmico, marcando uma contínua evolução cultural e religiosa ao longo dos séculos.

  • Arquitetura da igreja: Reflete a influência bizantina, com espaços menores e foco no clero.
  • Transição para sede episcopal visigótica: Demonstra a mudança de poder e a adaptação do local para novas funções religiosas.
  • Transformação em enclave islâmico: Sinaliza a continuidade da importância religiosa do local sob diferentes domínios.

A descoberta do forte bizantino em El Monastil oferece uma visão valiosa sobre a complexa história da Península Ibérica, revelando as interações entre diferentes culturas e religiões ao longo dos séculos e a importância estratégica da região no contexto do Império Bizantino e seus sucessores.