CPI do Crime Organizado aprova convocação de empresário ligado a Master e traficante espanhol

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta terça-feira (31/3), um requerimento pedindo a convocação do empresário Yan Felix Hirano, descrito como “suposto facilitador da fase de colocação de recursos ilícitos no sistema financeiro formal”. A decisão surge em meio a investigações sobre suas ligações com o narcotraficante espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin, que foi preso em junho de 2013 no Rio de Janeiro e condenado a 16 anos por lavagem de dinheiro e tráfico internacional de cocaína.

Segundo o requerimento apresentado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), Hirano e Ortiz seriam vendedores de um contrato de promessa de compra de dois imóveis localizados em Queimados, na Baixada Fluminense (RJ). Os compradores são a empresa Agera Negócios Imobiliários Ltda. e o fundo de investimento imobiliário Aquilla FII. Este último, conforme apurado, investiu no Fundo São Domingos, veículo utilizado na aquisição do Banco Máxima em 2017.

Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), datados de outubro de 2015, indicam que Ortiz mantinha participação em fundos geridos pela então securitizadora e administradora de recursos Foco DTVM — atualmente Sefer Investimentos. Ortiz figurava como cotista tanto em nome próprio quanto por meio de empresas a ele ligadas, incluindo o Aquilla FII. A Sefer Investimentos foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal neste ano, sob suspeita de participação em um esquema de repasse de recursos a empreendimentos associados a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Um trecho do documento da CPI destaca a identificação da criação de uma offshore nas Bahamas vinculada à Sefer, constituída apenas nove dias após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master. “É nesse cenário que se insere o Senhor Yan Felix Hirano”, afirma o texto.

O requerimento aponta ainda que o Grupo Aquilla, então controlador da Foco, tinha como principal executivo o operador financeiro Benjamim Botelho de Almeida. Ex-funcionário do Banco Garantia, ele é citado pela Polícia Federal (PF) como sócio oculto de Daniel Vorcaro e peça-chave no esquema ligado ao Banco Master. De acordo com o documento, Botelho teria atuado como intermediário na aquisição do Banco Máxima por Vorcaro, em 2017. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a denunciá-lo por gestão fraudulenta da instituição, com uso do fundo Aquilla Veyron FIM para inflar artificialmente o valor de investimentos e ocultar uma significativa insuficiência de capital.

Documentos da Receita Federal indicam que Hirano atuou, ao lado de Botelho, como sócio-administrador da Associação dos Ocupantes do Centro Logístico de Queimados (ASOCLQ) desde junho de 2012. Ele também teria sido responsável por apresentar Ortiz ao operador financeiro. O contrato de compra e venda dos dois imóveis em Queimados consta nos autos de um processo em tramitação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). O MPF sustenta, no mesmo processo, que 20% de cada terreno pertencia a Ortiz e foi bloqueado judicialmente em razão de sua condenação criminal. Os imóveis foram posteriormente integrados aos fundos do Grupo Aquilla com avaliações artificialmente infladas — um mecanismo semelhante ao descrito pela Polícia Federal nas investigações relacionadas ao Banco Master.

A reportagem do Metrópoles tentou contato com a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mas não obteve resposta. Também não conseguiu contato com a defesa ou representantes de Yan Felix Hirano.

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