BRB avalia acesso a linha de liquidez do Banco Central para reforçar caixa

O Banco de Brasília (BRB) está considerando acessar uma linha de liquidez do Banco Central (BC) como medida para fortalecer seu caixa, em resposta à crise financeira desencadeada por operações problemáticas com o Banco Master. Essa linha de crédito, conhecida como Linha Financeira de Liquidez (LFL), ainda não foi utilizada pelo banco estatal do Distrito Federal.

As LFLs funcionam como empréstimos garantidos por diversos ativos das instituições financeiras, incluindo títulos corporativos como debêntures e notas comerciais. Os juros e amortizações desses títulos são direcionados para uma conta de garantia no BC. Segundo fontes familiarizadas com o assunto, o BRB está negociando com o BC para que suas carteiras de crédito sejam consideradas elegíveis para as regras de concessão dessa linha. Estima-se que o banco possa ter acesso a cerca de R$ 300 milhões.

Para utilizar as LFLs, os ativos dados como garantia devem ser registrados nas Centrais Depositárias de Ativos Financeiros e de Valores Mobiliários. Desde julho de 2024, o BC também aceita Cédulas de Crédito Bancário (CCB), que representam operações de crédito para empresas. Nesses casos, os juros e amortizações permanecem nas próprias instituições financeiras, sem a necessidade de transferência para o BC como garantia em espécie.

O BRB enfrenta problemas de liquidez em meio a uma crise de credibilidade, após a descoberta de que o banco adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras sem lastro do Banco Master. As perdas não foram totalmente cobertas com as transferências dos ativos repassados pelo banco de Daniel Vorcaro, e muitos desses ativos utilizados para compensar as carteiras de crédito fraudulentas também apresentavam baixa qualidade.

Para lidar com a questão da liquidez, o BRB tem vendido carteiras de crédito a instituições privadas. No entanto, bancos públicos como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil não foram autorizados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva a realizar esse tipo de operação. A governadora do DF, Celina Leão, discutiu a crise financeira do BRB com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que uma eventual federalização do banco não tem o aval da pasta, mas que a Caixa e o BB podem comprar ativos do banco do DF.

Para o BRB, o acesso à linha financeira de liquidez do BC representa um recurso com custo mais acessível do que as operações com outros bancos. A instituição do Distrito Federal está tratando o tema como uma medida de contingência, buscando um custo de captação que se alinhe às suas linhas de crédito. A linha poderá ser acessada gradualmente, com as garantias das carteiras de crédito.

O BRB já possui linhas abertas com bancos privados, o que tem garantido liquidez para honrar seus compromissos em meio à crise. No entanto, o banco necessita de um aporte de capital, que ainda não foi implementado pelo governo do Distrito Federal. O presidente do BRB afirmou que a capitalização do banco será realizada até o dia 30 de maio, antes do prazo limite de 180 dias concedido pelo BC, que termina em 5 de agosto. Caso não se adeque às regras prudenciais, o BRB corre o risco de sofrer sanções do regulador.

A situação do banco se complicou ainda mais após o adiamento da divulgação do balanço de 2025, que deveria ter sido publicado na última terça-feira (31). O BRB convocou uma nova assembleia geral extraordinária para o dia 22 de abril, para votação da proposta de aumento de capital social do banco. O aporte sugerido pelo banco a seus acionistas é de até R$ 8,817 bilhões.

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