Calor extremo na Copa de 2026: Estudo aponta risco de até 25% de jogos em condições perigosas

A Copa do Mundo FIFA 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, pode se transformar em uma prova de resistência devido ao calor extremo. Um estudo divulgado pelo grupo científico World Weather Attribution aponta que até 25% das 104 partidas do torneio têm potencial para ocorrer em condições consideradas perigosas para jogadores e torcedores, com a possibilidade de adiamento de jogos.

Risco de calor extremo e limites de segurança

A análise utilizou o índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT), uma métrica que combina temperatura, umidade, radiação solar e vento para avaliar a capacidade de resfriamento do corpo humano. Segundo os cientistas, aproximadamente cinco jogos podem ocorrer em condições consideradas inseguras. A Federação Internacional de Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPRO) recomenda medidas de resfriamento quando o WBGT ultrapassa 26°C e orienta o adiamento de partidas caso o índice supere 28°C. Essa marca equivale a cerca de 38°C em calor seco ou 30°C em ambientes muito úmidos.

“Essas estimativas justificam a necessidade de estratégias de mitigação para proteger melhor a saúde e o desempenho dos jogadores expostos ao calor”, afirmou o diretor médico da FIFPRO, Vincent Gouttebarge, à Reuters. O alerta intensifica a pressão sobre a FIFA para rever protocolos de segurança e o calendário de futuras Copas, diante do cenário de elevação das temperaturas globais.

Estádios sem climatização e impacto no jogo

O estudo revela que mais de um terço dos jogos com risco elevado de calor extremo será disputado em estádios sem sistemas de climatização. Cidades como Miami, Kansas City, Nova York/Nova Jersey e Filadélfia estão entre as que sediarão partidas nessas condições. O calor intenso pode alterar a dinâmica do jogo, levando a um estilo mais cauteloso.

“Será mais uma questão de desempenho do que de saúde. Esses jogadores são atletas de elite e estão aclimatados. Você verá atletas administrando o próprio ritmo”, explicou o anestesista Chris Mullington, consultor do Imperial College London NHS Trust, à Reuters. “Então, podemos acabar vendo um futebol mais conservador”, acrescentou.

Preocupação com a final e o legado climático

A final da Copa, marcada para o MetLife Stadium, em Nova Jersey, também é motivo de preocupação. O estudo indica que a partida tem cerca de uma chance em oito de ultrapassar o limite de segurança térmica recomendado pela FIFPRO, um risco aproximadamente duas vezes maior do que o observado na Copa de 1994, também realizada nos Estados Unidos. A professora de ciência climática Friederike Otto, do Imperial College London, destacou que cerca de metade do aquecimento global causado pela atividade humana ocorreu desde 1994.

Além dos atletas, a FIFPRO alertou que torcedores em áreas externas, fan fests e durante deslocamentos urbanos poderão permanecer expostos por horas a temperaturas potencialmente perigosas. A Copa do Mundo de 2026 será a maior da história, com 48 seleções e 104 partidas distribuídas por três países da América do Norte.

Fonte: Um Só Planeta

Wendell Oliveira é editor da Globosfera e escreve sobre tecnologia, ciência, saúde, tendências digitais e atualidades, com foco em conteúdo informativo, claro e acessível.